A Quadriga de Platão

Interessante o artigo que acabo de ler: “Why the future of neuroscience will be emotionless”

Das conclusões, ou melhor das ideias, que a leitura do artigo me proporcionou, fui levado a reforçar uma hipótese, uma convicção que tenho há algum tempo.

A analogia de Platão, por mais bela que seja, estará errada. A Razão não toma as rédeas da Emoção, não é o Homem que doma o animal irracional e intempestivo. O Homem É razão e emoção.

No que diz respeito às Emoções ou, generalizando, às componentes não racionais, e subjectivas, andamos a inventar ciência por conveniência… Muitas vezes sem se conhecer exactamente aquilo que se pretende estudar e/ou descobrir. Pelo menos sem haver consenso quanto ao conceito “estudado”.

Há questões prévias que devem ser objecto de reflexão e discussão antes de se “fabricarem” verdades apoiadas em resultados de experiências controladas.

A humana tendência para a simplificação é inegável, mesmo para temas tão complexos como a Emoção e o funcionamento do nosso cérebro.

Não quero com isto dizer que nego e refuto os avanços científicos e tecnológicos. Se assim fosse nem teria lido o artigo que despertou esta reflexão. Aliás, pelo contrário, tenho particular curiosidade e interesse por estes temas.

Quero apenas deixar a ideia de que a vida é mais do que aquilo que conseguimos reproduzir em “laboratório”.

A complexidade deve ser aceite. Não deve ser negada nem substituída, numa busca incessante, cega e carregada de interesses, por uma “simples” verdade universal.

De tal forma que tem de se ponderar a hipótese de aquilo que procuramos, e em certa medida estamos a encontrar, ser de tal forma complexo que o nosso próprio sistema racional, cuja expressão pode ser a Linguagem, não estar à altura de descrever, quanto mais compreender, o que pretendemos descobrir.

Antes de os poder ultrapassar, há que reconhecer os limites.

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