A riqueza e a imprecisão das expressões: “Uma hora pequenina”

Num dos dias desta semana, no percurso habitual de casa até ao escritório, passei por um casal amigo que seguia seguia no mesmo sentido. Quando percebi que seguia na via de emergência na auto-estrada, deduzi que estaria a caminho do hospital, porque esperam um filho.

Quando pude enviar mensagem, perguntei-lhes — “Está na hora?”

Este episódio trouxe-me à memória o nascimento do meu primeiro filho, que brevemente terá de nos ensinar a partilhar a atenção que tem reclamado somente para si. Lembro-me de nessa altura ouvir mais do que uma pessoa, incluindo muitos elementos do pessoal do hospital, desejar “uma hora pequenina”. Era a primeira vez que ouvia tal expressão.

Na altura, apesar e devido a intensidade do momento, fiquei surpreendido e confuso. Não que me tenha escapado o seu significado ou a sua intenção mas, sim, pela novidade. Que raio de coisas me passam pela cabeça quando estou prestes a ter o primeiro filho. Felizmente, na altura, foi uma ideia que se alojou por pouco tempo.

Na minha, na nossa, experiência o trabalho de parto durou dezassete horas. Hoje, livre do corrupio de sentimentos, emoções, dúvidas, perguntas, incertezas, inseguranças, alegria, ansiedade, felicidade, pergunto-me:

Que hora exacta, das dezassete, desejariam as simpáticas pessoas que fosse pequenina?

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