GIF by Bill Domonkos

Ambivalência

Ele era um homem seguro de si mesmo, até nos momentos em que que vivia com uma profunda insegurança.

Todos o viam como um homem que estava quase sempre certo, sábio nas suas escolhas e ponderado, chegava a ser elegante, nas suas palavras e gestos. Até o consideravam certo quando ele assumia que estava errado.

Perante um cenário difícil, que não lhe agradava, que lhe parecia negro, sem luz, ele dizia: “quero acreditar que estou errado, mas tenho medo de estar errado nos dias em que sei e que sinto que estou certo”.

O homem sabia que a segurança não passava de uma ilusão. Uma criação dos homens, uma invenção sua, para não ter que enfrentar, de forma constante, a ambivalência permanente da vida. E que invenção fundamental! “Enfrentar a natureza paradoxal da vida, sem as capacidades e o treino necessário, levará, de maneira certa, à loucura”, dizia ele.

E nos momentos em que se sentia mais desesperado, mais ambivalente, mais inundado pela incerteza, mais tingindo pela angústia do fim certo, gritava: “Que puta é esta vida! Que se vende a ilusões e se entrega de graça à verdade…”

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