Crescer

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Atarefado durante as férias. Rodeado de sons com significado, todos eles diferentes e vindos de sítios diversos. Uns não chegam a ser palavras mas estão carregados de intenção; outros surgem em linguagem nova, que não se prende nem deixa prender pelas convenções nem pela lógica convencionada. Eu, como intérprete, tenho o papel de os formar, de os decifrar e, sempre, de os alimentar.

Dou por mim a pensar que crescer é, também, aprender a nomear o que se observa; o que se quer e o que não se quer; o que se gosta e o que nos repulsa, nos irrita, nos zanga, nos aproxima; o que nos afecta, em suma. Dar nome serve tanto para as «coisas de fora» como para as «coisas de dentro». É por isso que se diz que nunca paramos de aprender. Mesmo depois de saber todas as palavras, de as saber utilizar convencionalmente, de conhecer as regras para as conjugar, a verdadeira maturidade advirá da capacidade de as utilizar de uma forma que seja clara e inteligível tanto para nós como para os outros. Dessa capacidade germinam outras, como a de saber pronunciar o que antes não era passível de ser proferido, de o saber fazer no momento certo, com as palavras certas e que estas tenham o peso, a intenção e o tom adequados. Aqui não há regras nem receitas mas convém que o senso seja bom, que seja sábio e que tenha sentido estético: a elegância e a delicadeza, pessoais e intransmissíveis. Porque, ouvi eu, «as relações humanas são uma arte». Os artistas e os artesãos, sempre e só pessoas, para serem excepcionais, seja qual for a sua expressão, aprendem as regras para as poderem quebrar e, se forem mesmo bons, definir outras, novas. Mesmo assim não chegarão a toda a gente, mas chegarão melhor a quem lhes interessa chegar e a quem deles quer estar perto.

Não será esse um objectivo comum a todos nós?