Por Filipe Pinto Soares. Disponível no seu Facebook e Instagram.

Escrever sobre nada

Há dias, há alturas, em que se sente uma energia que não tem fim, num duplo sentido da palavra. Não se sabe para que serve, não se conhece a sua finalidade, e não se encontram nem se descobrem os seus limites, não se conhece a sua verdade.

Há alturas em que se sente um desejo sem que se conheça o seu objecto. Uma vontade de nada; um desejo de tudo que com nada se se satisfaz.

Há palavras que se escrevem sem significado aparente, sem intenção clara a não ser o impulso de escrever. Não vemos o fio que as liga, como se desenhássemos as letras com uma caneta de tinta de permanente, com uma carga novinha em folha, sem conseguir ver o que se escreve porque a tinta é transparente.

Ao escrever sobre nada, escreve-se sobre alguma coisa. Como aquele que medita para se libertar dos pensamentos e dos sentimentos. Pensa sobre não pensar e sente que não está a sentir.

Que nome se dá a isto, a esta coisa sem nome?

Seria mais fácil não ver, não sentir este desejo, não me aperceber desta vontade.

“Em terra de cegos, quem tem um olho é rei”

— Henry G. Wells

É bom ser rei, mas custa.

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