Faltam as palavras. Encontrem-se as palavras.

Não basta conhecer as palavras e o seu significado para se ser bom escritor, ou bom comunicador. Tampouco se conseguirá atingir a simplicidade, a sabedoria, apenas por essa via. Há que conhecer os afectos, a vida, a complexidade humana. Só assim se conseguirão expor situações, ideias e sentimentos que apenas uma correcta conjugação das palavras não conseguiria transmitir. Até porque, por vezes, as palavras não existem, são ambíguas ou não nos soam àquilo que sentimos e pensamos. Porque a sua simples conjugação e combinação não revela directamente a complexidade da experiência.

A clareza é importante na comunicação. É um cliché, bem sei.

Quando falo de clareza faço-o tendo em mente a passagem da informação, do sentido e do que se sente. É tanto mais claro para o próprio quanto a sua capacidade de perceber, interpretar e descodificar a vida, a sua vida. Quanto à dos outros, a vida, a ela apenas tem acesso através da sua.

Será através da mesma clareza e simplicidade com que nos devemos dar a conhecer aos outros, que podemos aceder a uma compreensão mais sofisticada de quem somos, também através dos com quem nos relacionamos.

Tal compreensão surgirá, através de um “viver inteligente”, onde a vida não é apenas uma sucessão de acontecimentos, percepções e sentimentos mas uma constante aprendizagem que brota de uma reflexão activa, crítica e fundamentada sobre esses mesmos episódios e experiências.

A vida é bem vivida quando a experiência é integrada nos afectos e estes, por sua vez, não são dela separáveis.

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