Bill Domonkos

História Universal e Particular

Passo os dias a ouvir histórias, a contá-las, a interpretá-las, a dar-lhes sentido. Passo os dias a inventar histórias para encontrar um sentido para aquilo que parece não o ter; a pôr uma ordem, mesmo que aparente, ilusória e transitória, no caos.

Passa o tempo e a história vai-se escrevendo, reescrevendo. Nunca se corrige.

Oiço histórias todos os dias. Todas elas diferentes e todas elas iguais. Ao ler um artigo implantou-se uma ideia: “talvez, a razão que nos leva a contar histórias, uma e outra vez, é porque nós, humanos, queremos fazer parte de uma história partilhada”. Interessante, esta ideia.

Em conversa, disseram-me recentemente que “nós não somos assim tão diferentes uns dos outros”. Resisti a esta ideia e senti que não podia deixá-la à solta na corrente de pensamento, isto é, no permanente exercício de construção das histórias. Não podia porque era uma afronta à minha individualidade e, por consequência, à dos outros.

Porventura, enquanto humanos, procuraremos fazer parte da “história universal”, de uma história partilhada, comum. Ao mesmo tempo, a luta pela singularidade, pela construção de uma narrativa particular e intransmissível é inegável, por uma afirmação da individualidade.

Será mais uma prova da constante contradição que significa ser pessoa.

Alguns dias depois de ter escrito este texto encontro o vídeo abaixo. Lá está a “minha” teoria de que não existem coincidências a ser corroborada. Aliás esta teoria assenta, exactamente, na ideia de que as coincidências não existem porque não vivem sem um sentido que lhes é atribuído. Mesmo o sentido da aleatoriedade, do acaso ou do caos.

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