Manual de Instruções

Os juízos são o manual de instruções do mundo. São uma forma de atribuir sentido às coisas. Um meio de satisfazer a nossa vontade insaciável de categorizar e etiquetar.

Quando temos já o nosso “arquivo” bem organizado e categorizado, não demoramos muito a fazê-lo, facilmente construímos “manuais de instruções” que, por sua vez, são alimentados pela cultura, educação e experiência. As próprias categorias sofrem as mesmas influências.

Isto é muito evidente nas religiões, por exemplo, que nos dão manuais bastante simples para seguir princípios bastante complexos. Não entraremos por aqui, contudo. Os curiosos poderão interessar-se por este livro.

Que faríamos se o nosso manual de instruções já não servisse para explicar como funcionam as coisas?

Provavelmente sentir-nos-íamos perdidos, sem referência, a “apalpar terreno”… Tanto pode ser uma fonte de aprendizagem como de frustração e medo imobilizadores.

Que acontece quando um produto/situação muda ou é actualizado?

O manual de instruções anterior não servirá. Há que investir tempo para criar e/ou ler as novas indicações.

O verdadeiro ponto não será nenhum dos destes. A questão é que quando temos o nosso arquivo bem arrumado e criamos categorias para atribuir sentido a tudo o que se passa, somos espectacularmente rápidos a encaixar numa dessas gavetas as situações/experiências/pessoas “novas”.

Esta, extraordinariamente útil, capacidade de categorizar que possuímos, por muito que nos acelere as respostas e reacções, poderá ter um lado prejudicial. A impossibilidade de verdadeiramente nos ligarmos às situação, às experiências e/ou às pessoas com quem interagimos.

O risco e a tentação de interagirmos com “o nosso arquivo” em vez da realidade que nos circunda são permanentes.

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