Outono

De pé, à janela, que ao ser aberta se queixa da sua idade com um guincho que me magoa os ouvidos, reparo nas folhas que voam. Folhas carregadas pelo vento que sopra de sul, deixando o ar mais quente do que seria suposto para a época. O mesmo vento que se encarrega de as libertar do resto de vida que tinham. Apenas viviam porque estavam presas. Tornaram-se demasiado leves, demasiado castanhas, para poderem continuar a existir no sítio onde nasceram, verdes. Agora voam, vivem outra vida. Morrem para fazer viver, porque “a morte é uma experiência dos vivos”, disseram-me uma vez.

E eu, vivo, de pé, olho, através da janela velha, as folhas que vivem a sua morte, a voar.

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