Prioridades trocadas

Há algum tempo que tenho vindo a desenvolver e alimentar a ideia, que não é minha, se é que as ideias têm donos, que a evolução e os desenvolvimento desenvolvimentos científicos e tecnológicos tem-nos ajudado muito enquanto espécie mas, apesar disso, a compreensão da natureza humana não tem acompanhado esta evolução. Provavelmente porque esta é imensamente mais complexa e não pode ser “operada” com as mesmas “ferramentas” que se utilizam quando nos observamos a nós próprios através de um ponto de vista mecanicista.

Fiquei triste quando vi o video abaixo. Triste por confirmar, já o sabia, que há pessoas que vêem o Futuro como algo muito diferente do que eu vejo. Pessoas que, apesar de viverem no mesmo Mundo e partilharem o mesmo tempo que eu, não vêem que o que nos trouxe à situação em que estamos hoje como civilização, entre outras coisas, foi uma atenção e importância excessivas dadas aos avanços tecnológicos, científicos e económicos, sem se fazerem acompanhar por uma dedicação à compreensão, respeito e cuidado dos nossos semelhantes.

Fiquei triste por sentir que este suposto avanço, esta compreensão “transhumana”, é no fundo um retrocesso qua não tem em conta tantas reflexões, ideias e práticas avançadas por tantos pensadores ao longo dos tempos. É um retorno a perspectivas antropocêntricas cegas e fundamentalistas. Não espantam posições como esta, num mundo que valoriza o egocentrismo e que premeia os narcisistas.

Não deixa de ser curioso que quem se quer tornar “super-humano” tem, muitas vezes, uma dificuldade com a sua própria humanidade.

Um outro paradoxo é o desejo de ascensão a uma posição que poderíamos considerar divina através de visão rígida, baseada exclusivamente na tecnologia e um determinada tipo de ciência.

Fiquei desapontado por sentir há quem procure eliminar a tristeza, o sofrimento, a agressividade… Estas são também qualidades humanas. Quem as queira eliminar terá, imagino eu, mesmo que de forma pouco clara ou mesmo inconsciente, uma ambição de ascender ao Olimpo…

Continuo a acreditar que há formas mais sofisticadas e inteligentes de viver bem com angústias fundamentais como o medo da morte, a percepção da finitude e dos limites.

Não gostaria, apesar de imaginar que corro esse risco, de ser interpretado como retrógrado ou conservador. Pelo contrário, gosto de pensar que este tipo de reflexões, as que não se centram apenas nas questões objectivas e físicas, as que têm em conta outra realidade que não apenas a que é palpável e mensurável, representam um avanço, desde que consideradas, pelo menos, tão importantes como as ligadas à tecnologia, ciência e economia.

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