Reflexões sobre o tempo e outras coisas

Há muito, há quase dois anos, que anunciei que quero partilhar algumas ideias que tenho coleccionado sobre o tempo. Tenho algumas palavras escritas sobre o tema mas não as quero ainda publicar.

Apesar disso, dei por mim a pensar sobre um outro assunto que me trouxe de volta ao tempo, por assim dizer. Dei-me conta que os textos que mais têm tido algum tipo de feedback neste espaço são curtos e, por isso, de leitura mais rápida.

Lembro-me de ter passado os olhos nalguns artigos que indicavam o número exacto de caracteres que um texto deveria ter para ter mais probabilidade de ser lido online. Lembro-me de ler também indicações do mesmo género mas em relação ao número de minutos que um vídeo deveria ter. Lembro-me de pensar e de sentir que o número de caracteres e de minutos recomendados era curto. Pena que não me lembre das referências para partilhar. Imagino que isso iria dar trabalho a mais à maioria dos leitores e que, segundo este tipo de estudos, iria ter uma probabilidade de leitura e interacção inferiores, apesar de poder aumentar a possibilidade de descoberta nos motores de busca.

Eu não me importo de dar trabalho, não me importo de poder ser considerado chato, monótono, contracorrente. Não me importo porque acredito que esta vontade de querer tudo, ou quase tudo, rápido, fácil, com alto impacto, de baixo custo e de elevadas replicabilidade e versatilidade, não é apenas ilusório, é errado e contranatura.

Acredito que, nós humanos, precisamos de tempo. Tempo para dormir, tempo para aprender, tempo para brincar, tempo para trabalhar, tempo para produzir e tempo para fazer nada.

Quem disse que tempo é dinheiro?! Um disparate que é verdade para tantos e que tanto nos influencia e nos empata. Ao nível de outros tretas históricas que nos definiram e continuam a definir, como querer separar o corpo da mente e a razão da emoção. Tempo é tempo!

Por outro lado, sou levado a pensar que os textos a que me refiro partilharão um estilo diferente. Possivelmente mais íntimo, mais espontâneo, menos pretensioso e menos “evangelista”.

Preciso de tempo para pensar sobre isto.

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