Emprego

Neste semestre eu estava procurando um emprego. Para ser bem sincero, um estágio já estava de bom tamanho. Porra, estou no terceiro período da faculdade, não dá para esperar muita coisa, não é mesmo?

Juntei todos os projetinhos que tinha feito no ano passado e coloquei tudo em um portfólio, palavra chique que quer dizer “coisas que eu fiz para impressionar alguém que pode me dar um emprego”.

Mandei essa minha pastinha, cheia de esperanças, para diversas agências e lugares que poderiam abrigar essa cabecinha pensante cheia de ideias malucas.

Esperei, esperei e esperei. Até que retornaram o e-mail. Queriam marcar uma entrevista, para saber se eu me encaixava no perfil da empresa. Sabe aquelas coisas que a gente nunca sabe se está indo bem ou não? Bem isso mesmo.

Respondi o e-mail na mesma hora, tentando mostrar como estava atento à vaga que poderia ser minha. Ela tinha que ser minha. “Meu Deus, eu quero muito essa vaga”, pensei.

O cara não respondeu meu segundo e-mail, confirmando o horário da entrevista. E os dias foram passando. Terça, quarta, quinta. Chegou o dia. Ele ainda não tinha me respondido. O que fazer numa situação dessas? Desesperador. Não sabia se aparecia na agência com a maior cara de pau, mesmo sem ter a confirmação da entrevista, ou esperava a resposta na minha caixa de entrada. Resolvi, encorajado por alguns amigos, a aparecer por lá no início da tarde.

Peguei minhas tralhas e fui. Meio nervoso, confesso. Entrei no prédio, no elevador e dei de cara com a porta da agência. “Entre sem bater”, estava escrito. Foi o que eu fiz. Encontrei com o cara do e-mail e ele logo lembrou de mim. “Foi mal menino, esqueci de te responder”, ele disse, “mas é isso aí, que bom que você apareceu. Atitude, rapaz!”. As pessoas usam esse negócio de atitude para tudo, né? Da vida amorosa à busca de emprego. “Espero que a atitude dessa vez me traga alguma coisa de bom”, pensei.

Mas, logo que entrei na salinha de entrevistas, percebi que aquilo não ia dar certo. O meu talvez futuro chefe me olhava com uma cara de desgosto que eu nem consigo descrever aqui.

Durante a entrevista, eu conversava com uma das pessoas na sala, enquanto a outra ficava lá, me encarando. “Esse cara não vai dar um sorriso não? Caralho, isso está me assustando de verdade”, pensei.

Quando vi que a entrevista não ia dar em nada, comecei uma conversa quase informal. “E o Coritiba hein, será que ganha o paranaense?”, “e a greve de ônibus, hein, rapaz?!”, entre outros tipos de conversa de elevador.

A entrevista acabou, junto com a esperança de conseguir aquela vaga. Voltei para casa meio triste.

Almocei, fui fazer um trabalho da faculdade e, um tempo depois, recebi a resposta de que não tinha conseguido o estágio. Parei na frente do computador e comecei a pensar os motivos de não ter dado certo.

“Tá, eu não devia ter falado que a minha referência de vida é o Magalzão”.

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