Grupo Focal — Jovens Aprendizes CIEDS

João Vitor Pires
Aug 31, 2018 · 4 min read

Com o objetivo de demonstrarmos a qualidade e importância do desenvolvimento dos jovens aprendizes através da realização de suas tarefas laborais, realizamos um grupo focal com os jovens a fim de trazermos esses dados qualitativos.

O grupo focal foi composto por 8 jovens aprendizes que são oriundos da cota social de medida socioeducativa, fazendo o recorte de gênero, trabalhamos com 6 jovens do sexo masculino e 2 jovens do sexo feminino. O ambiente utilizado foi as dependências do CIEDS, localizado na Av. Rio Branco, 25–3° andar, na sala 02.

Com a disposição das cadeiras em roda, as atividades se deram por meio de duas dinâmicas; onde a primeira foi pensada para “quebrar-gelo”; e a segunda para coletar dados qualitativos a respeito da importância do programa na vida desses jovens.


Com os jovens já sentados, apresentamos as atividades deixando claro que a justificativa daquele momento era para entendermos quais eram suas percepções do programa, seus medos, receios e inseguranças antes e durante a participação deles no programa e quanto o programa de aprendizagem pode lhes oferecer novas percepções de seu futuro. Trabalhamos com duas máscaras de personagens da atualidade, que conversam com a idade desses jovens. O trabalho com a máscara era tido como apoio para a conversa dos jovens.

1° Máscara (La Casa De Papel)

A) No lado interior da máscara eles colocaram: “medos, receios e inseguranças antes de iniciar no programa”.

B) No lado externo da máscara, eles colocaram: “como eu acho que era visto pelos outros antes de iniciar no programa”

Feito isso, reservamos as máscaras, e começamos ao compartilhamento de vivências. Provocado pelo mediador, os jovens eram perguntados se eles se identificavam com alguma máscara de seus colegas e recebeu-se respostas afirmativas.

Parte interna da máscara

Medos, receios e inseguranças antes de iniciar no programa — aspas dos jovens:

“Eu tinha medo de não conseguir cumprir a medida socioeducativa”;

”Não ter voltado a sonhar, não me enxergava com vontade de sonhar, fazer faculdade, estudar…”;

“Antes do programa eu tinha medo de não conseguir cumprir a medida, e fugir do sistema no momento de algum surto”.

Parte externa da máscara

Como eu acho que era visto pelos outros antes de iniciar no programa — aspas dos jovens:

“Sem futuro”;

“Má influência, abusado, sem respeito”;

“Era visto como ameaça iminente”;

“Eu era desprezada”;

“Eu era visto como uma pessoa ruim, as pessoas diziam que não queriam seus filhos perto de mim porque eu era mal caminho”;

“Sem futuro”.

2° Máscara (Arlequina)

A) No lado interior da máscara eles colocaram: “medos, receios e inseguranças durante o desenvolvimento do programa”.

B) No lado externo da máscara, eles colocaram: “como eu acho que era visto pelos outros durante o desenvolvimento do programa”.

Parte interna da máscara

Medos, receios e inseguranças tais como:

“Medo de não conseguir cumprir com minhas tarefas, medo de não me adaptar ao programa, não cumprir minhas horas do trabalho e acabar sendo cortado do programa”;

“medo de não ter um gestor que me ajudasse, ou não tivesse paciência para me explicar o trabalho”;

Parte externa da máscara

Como eu acho que era visto pelos outros:

“Como um jovem responsável e trabalhador”

“Sou visto como uma pessoa que deu a volta por cima”

“uma pessoa mais responsável”

“Como um orgulho pra minha mãe”.

Conclusão

De acordo com as atividades realizadas no grupo focal com este jovens, através de suas falas; falas de seus gestores e acompanhamento pedagógico, podemos concluir que as oportunidades para o jovem que se encontra, ou que já concluiu medida socioeducativa são escassas ao extremo, e somatizando com o recorte racial, ao território e toda sua realidade essas oportunidades vão se afunilando. É de entendimento fácil o quanto o programa de aprendizagem pode contribuir para o desenvolvimento desses jovens, mas não olhando apenas para um desenvolvimento profissional isoladamente, mas um desenvolvimento enquanto pessoa, e enquanto juventude capaz, com força de vontade, e com o sentimento do “querer se desenvolver”, para mudar para melhor, e como alguns jovens nos confidenciaram, trazer de volta a possibilidade de sonhar.

    João Vitor Pires

    Written by

    Graduando em Pedagogia e Estagiário de Projetos (CBVE)

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