Grupo Focal — Jovens Aprendizes CIEDS
Com o objetivo de demonstrarmos a qualidade e importância do desenvolvimento dos jovens aprendizes através da realização de suas tarefas laborais, realizamos um grupo focal com os jovens a fim de trazermos esses dados qualitativos.
O grupo focal foi composto por 8 jovens aprendizes que são oriundos da cota social de medida socioeducativa, fazendo o recorte de gênero, trabalhamos com 6 jovens do sexo masculino e 2 jovens do sexo feminino. O ambiente utilizado foi as dependências do CIEDS, localizado na Av. Rio Branco, 25–3° andar, na sala 02.
Com a disposição das cadeiras em roda, as atividades se deram por meio de duas dinâmicas; onde a primeira foi pensada para “quebrar-gelo”; e a segunda para coletar dados qualitativos a respeito da importância do programa na vida desses jovens.
Com os jovens já sentados, apresentamos as atividades deixando claro que a justificativa daquele momento era para entendermos quais eram suas percepções do programa, seus medos, receios e inseguranças antes e durante a participação deles no programa e quanto o programa de aprendizagem pode lhes oferecer novas percepções de seu futuro. Trabalhamos com duas máscaras de personagens da atualidade, que conversam com a idade desses jovens. O trabalho com a máscara era tido como apoio para a conversa dos jovens.
1° Máscara (La Casa De Papel)
A) No lado interior da máscara eles colocaram: “medos, receios e inseguranças antes de iniciar no programa”.
B) No lado externo da máscara, eles colocaram: “como eu acho que era visto pelos outros antes de iniciar no programa”
Feito isso, reservamos as máscaras, e começamos ao compartilhamento de vivências. Provocado pelo mediador, os jovens eram perguntados se eles se identificavam com alguma máscara de seus colegas e recebeu-se respostas afirmativas.
Parte interna da máscara
Medos, receios e inseguranças antes de iniciar no programa — aspas dos jovens:
“Eu tinha medo de não conseguir cumprir a medida socioeducativa”;
”Não ter voltado a sonhar, não me enxergava com vontade de sonhar, fazer faculdade, estudar…”;
“Antes do programa eu tinha medo de não conseguir cumprir a medida, e fugir do sistema no momento de algum surto”.
Parte externa da máscara
Como eu acho que era visto pelos outros antes de iniciar no programa — aspas dos jovens:
“Sem futuro”;
“Má influência, abusado, sem respeito”;
“Era visto como ameaça iminente”;
“Eu era desprezada”;
“Eu era visto como uma pessoa ruim, as pessoas diziam que não queriam seus filhos perto de mim porque eu era mal caminho”;
“Sem futuro”.
2° Máscara (Arlequina)
A) No lado interior da máscara eles colocaram: “medos, receios e inseguranças durante o desenvolvimento do programa”.
B) No lado externo da máscara, eles colocaram: “como eu acho que era visto pelos outros durante o desenvolvimento do programa”.
Parte interna da máscara
Medos, receios e inseguranças tais como:
“Medo de não conseguir cumprir com minhas tarefas, medo de não me adaptar ao programa, não cumprir minhas horas do trabalho e acabar sendo cortado do programa”;
“medo de não ter um gestor que me ajudasse, ou não tivesse paciência para me explicar o trabalho”;
Parte externa da máscara
Como eu acho que era visto pelos outros:
“Como um jovem responsável e trabalhador”
“Sou visto como uma pessoa que deu a volta por cima”
“uma pessoa mais responsável”
“Como um orgulho pra minha mãe”.
Conclusão
De acordo com as atividades realizadas no grupo focal com este jovens, através de suas falas; falas de seus gestores e acompanhamento pedagógico, podemos concluir que as oportunidades para o jovem que se encontra, ou que já concluiu medida socioeducativa são escassas ao extremo, e somatizando com o recorte racial, ao território e toda sua realidade essas oportunidades vão se afunilando. É de entendimento fácil o quanto o programa de aprendizagem pode contribuir para o desenvolvimento desses jovens, mas não olhando apenas para um desenvolvimento profissional isoladamente, mas um desenvolvimento enquanto pessoa, e enquanto juventude capaz, com força de vontade, e com o sentimento do “querer se desenvolver”, para mudar para melhor, e como alguns jovens nos confidenciaram, trazer de volta a possibilidade de sonhar.
