Roda de conversa com os gestores — CIEDS Jovens Aprendizes

João Vitor Pires
Aug 31, 2018 · 5 min read

No dia 28 de agosto de 2018, reunimos em uma das dependências do CIEDS, localizada na Av. Rio Branco N° 25–3° Andar — SL01, Rio de Janeiro, gestores do CIEDS que trabalham como tutores dos jovens aprendizes oriundos de cota social de medida socioeducativa para conversarmos em roda sobre o início das atividades até o dia desse encontro (28/08/2018), com o objetivo de discutirmos a importância do programa de aprendizagem para esses jovens e também da importância para a formação e experiência do gestor.

Se fizeram presente 6 gestores de diversas áreas, tais quais: Juliana Lins (Departamento Pessoal), Thiago Custódio (Compras), Daniel Garcia (TI), Loren Almeida e Karoline Assis (ambas Gestão de Projetos). O mediador foi, João Vitor Pires (estagiário de RH), apoiado por Soraia Martins (Coordenadora Pedagógica do Programa RPA — Rede Pró-Aprendiz).


Iniciamos a roda explicando sobre a justificativa da conversa, pontuando que gostaríamos de saber dos gestores a importância do recebimento de jovens em medida socioeducativa para atuarem como jovens aprendizes e que se isto poderia causar impactos positivos na instituição.

A conversa foi iniciada pautando sobre a antecedência do início das atividades. Perguntamos como foi o recebimento do informe da chegada destes jovens, sendo estes de medida socioeducativa.

Como o grupo é bem plural e heterogêneo obtivemos resposta diferentes. A gestora do DP, Juliana Lins, nos contou que houve uma reunião com alguns gestores, junto a assistente social da entidade educadora, tendo a assistente pontuado a entrada desses jovens, orientando para que os gestores não mencionarem sobre os motivos do cumprimento da medida socioeducativa, que os tratassem como um jovem aprendiz que não oriundo de medida sócio-educativa e que pudessem ajudá-los nas orientações das atividades que eles deveriam desenvolver em suas rotinas.

Apesar dessas conversas e reuniões houveram casos como o da gestora Loren, que estava cobrindo a licença maternidade de sua colega, precisando de apoio para a realização das atividades. Contatando o RH, ela solicitou a possibilidade de poder ter um jovem aprendiz para ajudá-la nos trabalhos operacionais dentro do escritório. Dado a solicitação, encaminharam um jovem para esta gestora, no qual ela não soubera inicialmente que este jovem era oriundo de medida socioeducativa. Ela iniciou o desenvolvimento das atividades com o jovem.

Durante nossa conversa, foi colocado diversas vezes que o jovem que vem de medida socioeducativa não difere na totalidade do jovem que não é de medida socioeducativa.

Uma outra pergunta feita foi “Como o gestor precisa se preparar para receber esses jovens baseado nas experiências do CIEDS?” As respostas vieram em tópicos comentados:

  • Reunião com equipe para orientação na forma de tratamento: antes ou no início das atividades do jovem, alinhar com a equipe para que o tratamento com o jovem não seja com olhar de julgamentos ou distanciamento, ter em mente que o gestor e a equipe estarão ali para participar do desenvolvimento do jovem através das atividades propostas à ele.
  • Preparar-se didaticamente para desenvolver o jovem: o que pode parecer óbvio para a rotina de um gestor, seja de qual área for, pode não fazer parte da realidade do jovem, lembre-se, além de muitos dos jovens não serem familiarizados com o ambiente formal de trabalhos, eles são, acima de tudo jovens aprendizes, que por muita das vezes vivem sua primeira oportunidade de trabalho formal, como muitos outros.
  • Estabelecer confiança: oferecer condições onde o jovem possa mostrar-se capaz de assumir tarefas, dando-lhes através desse exercício confiança mútua.
  • Pensar na inclusão sempre: o jovem faz parte da sua equipe, e suas atividades terão impacto no trabalho geral, como qualquer integrante de seu equipe, demonstre isso ao jovem, isso trará a responsabilidade e consciência, fazendo com que o jovem se sinta parte integrada e importante como os outros.
  • Supervisão e feedback contínuos: pode ocorrer do jovem não ter realizado nunca uma atividade específica, ou ter receio de estar fazendo errado e frustrar-se. Por isso, é importante que o gestor sempre dê feedback, não para apontar erros de forma autoritária e arrogante, mas para alinhar a melhor forma de realizar uma atividade e colaborar no desenvolvimento do jovem.
  • Liderança humanizada: quando o jovem encontrar dificuldades no trabalho, sempre que possível, reunir-se com o jovem tentando compreender suas questões. Não é preciso envolver-se emocionalmente, mas demonstrar empatia e tentar auxiliá-lo no que diz respeito ao seu desenvolvimento no trabalho.

Quando perguntamos aos gestores como eles enxergam a oportunidade desses jovens oriundos da medida socioeducativa estarem no programa de aprendizagem, a resposta foi unânime: como uma oportunidade de mudança na vida desses jovens.

Conclusão

a despeito do convívio e parceria profissional que os gestores tiveram com os jovens — que a oportunidade do trabalho como aprendiz para um jovem que cumpriu sua medida socioeducativa, ou que ainda está cumprindo, oferece a esses jovens oportunidades de saírem de seus territórios que, por muitas vezes, os influenciam mais à reincidência, ou descrença de um futuro seguro. Desta forma, o programa de aprendizagem com jovens em medida socioeducativa cumpre, ao menos, quatro objetivos concretos: ensino de prática profissional, inserção produtiva por meio do primeiro emprego, geração de renda e ressocialização do jovem em medida socioeducativa. Ademais, a partir da experiência do CIEDS, pode-se afirmar que o programa agrega objetivos a posteriori, como: ampliação de repertório sociocultural, desenvolvimento pessoal por meio de autoconhecimento e autoestima, compreensão sobre o projeto de vida pessoal, redução da condição de vulnerabilidade social e mais confiança no futuro.

“Oferece ao gestor a oportunidade de desenvolvimento de competências multidisciplinares e de fazer parte de um processo de construção de uma nova perspectiva para o jovem”

Profissional do CIEDS, responsável pela tutoria de um dos jovens

Uma observação feita pelos gestores foi a satisfação de fazer parte da história de reconstrução de um cenário para uma juventude que está inserida em meios de vulnerabilidade. É dado, através desses relatos, que existem bons resultados. É o caso da gestora do Departamento Pessoal: os resultados das entregas do jovem aprendiz que está com ela foram tão positivos que motivou a gestora a incentivá-lo a buscar mais conhecimento e formação. Hoje este jovem está pelo PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) frequentando o curso técnico em Recursos Humanos. Na primeira avaliação do curso, conquistou a nota 10 — e ele já está em busca de uma colocação na área.

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    Graduando em Pedagogia e Estagiário de Projetos (CBVE)

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