Minha primeira Olimpíadas

Apesar de ligeiramente sedentária, sempre gostei de eventos esportivos. As Olimpíadas são uma verdadeira catarse, em que esportes como esgrima viram paixão nacional, como o futebol e o vôlei.

Em 2009, quando o Rio de Janeiro foi escolhido como a cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016, fui tomada por uma ansiedade sem tamanho. Tudo aquilo na minha cidade, no quintal da minha casa.

E depois de sete anos de espera, os jogos finalmente chegaram ao Rio de Janeiro. A euforia olímpica que poderia tomar tanta gente, foi ofuscada pelo momento que vivemos no Brasil e na cidade maravilhosa. Ameaça de Zika, poluição na Baía, governo falido, violência… Mas no dia 05 de agosto de 2016, parece que apertamos o botão de pausa nisso tudo.

Logo na cerimônia de abertura, o meu querido Rio disse a que veio. Recebemos mais de um milhão de turistas, jornalistas e atletas de todos os países, e mostramos que hospitalidade é o nosso sobrenome. Fomos tomados por uma onda de orgulho, nunca tive tanto prazer de morar na minha cidade.

Nossos atletas deram um verdadeiro show nas quadras e arenas. Fomos surpreendidos com histórias de superação, vitórias suadas, perdas doídas e uma torcida sem igual (que muitas vezes era incompreendida). Era uma verdadeira maratona televisiva, para acompanhar tantos jogos. Viramos especialistas em esgrima, comentaristas de handebol e aficionados por atletismo.

Redescobri o meu Rio de Janeiro. Vi todo mundo junto e misturado na região portuária, que alguns anos antes era tão degradada. Andei por vários pontos da cidade, maravilhada com aquilo tudo. Vi o transporte público realmente ser eficiente. E fui no Parque Olímpico, um lugar que verdadeiramente representou o espírito dos jogos. Me faltam palavras para descrever a energia de estar presente nas partidas.

Lá em 2009, jamais imaginei que viveria uma experiência tão incrível. Foi muito mais do que eu poderia desejar, para mim e para a minha cidade. Olimpíadas, você vai deixar saudades. Como diz o mural da artista Rita Wainer no Boulevard Olímpico, “saudade é amor”, e hoje digo que todos nós estamos transbordando amor pela cidade maravilhosa.