Precisamos falar sobre cabelo

Não aguentei esperar e já estou aqui de novo. Hoje precisamos falar sobre cabelo. Tenho um cabelo crespo, acho melhor repetir, eu disse CRESPO, que é diferente do cabelo cacheado, ok?! Mas desde sempre, já nem me lembro mais, faço alguma intervenção na minha juba. Quando me perguntavam como era o meu cabelo de verdade, eu simplesmente não sabia responder. Pode isso, Arnaldo?!

Outro dia li por aí “Se o seu cabelo nunca matou ninguém ou nunca fez mal a ninguém, ele não é ruim”. Adoraria dar o devido crédito, mas realmente não me lembro onde eu li. Aquilo foi um estalo na minha cabeça. Foi como se uma lâmpada tivesse acendido e gritado que nem o João Kleber “para, para, para!”.

Precisava, e ainda preciso descobrir como é o meu cabelo de verdade. Estou na chamada transição capilar. Desde novembro, o que para mim já é muita coisa, não faço nada com o meu cabelo. E todo dia é uma dificuldade, é se olhar no espelho e esboçar um palavrão. Mas é também ler um relato de alguém que já passou por isso, é conversar com uma amiga do trabalho que acabou a transição, é alguém dizer “é só volume”.

Nunca tive jeito com o meu cabelo, nem trança eu sei fazer. Mas amo cuidar do meu cabelo, gasto uma quantia razoável em shampoos, novidades capilares e tratamentos, e não me arrependo disso. Quando resolvi que ia parar com o química (estou me sentindo no NA) todo mundo me apoiou, e parece até bobo dizer, mas isso foi fundamental.

Hoje saio que nem maluca na rua, as vezes não da tempo mesmo, acontece. Acho que isso foi, e está sendo, uma redescoberta. Precisamos falar sobre cabelo, precisamos falar que nem todo mundo é liso, precisamos falar que isso faz um mal danado, precisamos falar em aceitação. Precisamos até dizer que posso passar por essa transição, não gostar do resultado e voltar tudo de novo.

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