Uma maçã para o professor
Uma análise sobre a querela entre a mídia e os educadores
A sociedade ocidental moderna construiu sua própria estrutura em relação ao processo de formação dos infantes como cidadãos. No lugar do núcleo familiar, preferiu delegar o ensino dos valores às unidades escolares. Um grande poder, uma grande responsabilidade. Há, no entanto, uma outra fonte de informação que tem feito parte da formação das crianças nas últimas décadas: a mídia.
Pelos seus diferentes meios, a mídia consome uma porcentagem assustadora do tempo de atenção dos pequenos, os bombardeando justo na fase em que estão formando a personalidade. É preciso portanto, que os olhos da sociedade recaiam sobre ela, de modo a gerar o sentimento de responsabilidade que a situação requer. A urgência dessa pressão é expressa na própria população infantil, cada vez mais agressiva, consumista e naturalizada com o tema sexual.
Durante a infância, o cérebro humano trabalha ativamente para ordenar os sentidos, transformar o mundo ao redor em algo palpável, previsível e lógico, o que em termos evolutivos significa segurança. Para isso ele executa processos de condicionamento, ou seja, passa a julgar o que é normal, anormal ou mesmo inexistente com base na frequência do acontecimento. Esse processo é responsável por exemplo, do medo de monstros, que costuma passar conforme os anos, depois que ganhamos a noção de inexistência deles por não haver frequência alguma do aparecimento de algum.
O problema surge a partir do momento em que as crianças são expostas a conteúdos violentos, com temática sexual e/ou ofensiva. Enquanto sentada em frente ao monitor, o cérebro dos infantes passa a registrar esses acontecimentos frequentemente. O resultado são crianças que julgam uma série de comportamentos inadequados e condenáveis como normais. É formada uma geração que reproduz essa deturpação na forma de comportamentos prejudiciais. Ao analisarmos a questão como um todo, o problema alcança proporções ainda mais preocupantes. Os índices de criminalidade, uso de drogas, evasão escolar e gravidez durante os anos de infância e adolescência crescem de forma alarmante.
É preciso separar e conhecer as potencialidades que a televisão tem de favorável para a aprendizagem da criança, mais cabe aos pais atuar nessa formação e conhecer os programas que os filhos assistem e analisar seus valores e ideais e tentar formar a partir daí um cidadão crítico capaz de averiguar se tal programa traz algo de valor para a sua vida, sendo os mesmo transmissores de valores da própria educação. (Ana Paula de Alcântara, pedagoga)
A solução aparece não na forma de uma privação total, como propõem muitos que optam por demonizar as mídias. É preciso responder de forma racional, implantando a consciência de responsabilidade em todos aqueles que fazem parte do processo de formação da criança.