OneNightDv — Parte 1: A Saga Começa

OneDv

19/01/2011

Fotos: Leandro Furini

Texto: Joe Borges


Neste começo de semana, resolvemos dar início à esta saga noturna, que conta com a presença de Caio Youssef. A missão começou no nosso tão conhecido gap festivo do blog, onde Caio, sem tempo para brincadeira, conseguiu voltar um belo S/S Ollie, após algumas boas tentativas, recompensadas com sucesso. Enquanto os outros integrantes do passeio pela cidade, Chelo Valadão e André “Deco” Soares arriscavam algumas boas, como um Boneless de Chelo no mesmo gap, que por pouco não foi concluído, Caio já havia garantido sua primeira marretada. O chão quebrado e o ângulo desfavorável para certas manobras é um dos ingredientes que fazem desse gap um tanto quanto antipático.

S/S Ollie

Terminado o primeiro round no gap, nos dirigimos até o Parque das Bicicletas, um clássico pico onde pessoas de bem e senhores bicletóides levam seus filhos para longe dos skatistas arruaceiros. Porém, nós adentramos o local sem maiores problemas, mesmo com os protestos de um tiozinho guardador de carro que tentava nos alertar sobre o fato de que o parque iria fechar em instantes. O tio, alucinado com suas sacolas e pertences, gritava palavras que ninguém conseguia entender. Juntando tudo que ele falou por cerca de 3 minutos, podemos decifrar que ele tentou dizer algo como “O parque vai fechar, é perda de tempo.” Na verdade ele estava relativamente certo, apesar de termos ficado 15 minutos no lugar, valeu a pena pois diferentes idéias para a continuação da saga surgiram.

Ali bem próximo ao Parque das Bicicletas, ali mesmo, na destemida Avenida República do Líbano, ancoramos nosso barquinho para a próxima parada, a borda de mármore da alfaiataria Black Time, já bem conhecida do mainstream do skate brasileiro, que todos tanto adoramos. A borda teve que ser praticamente pintada de vela, o que não foi problema já que o Pão de Açucar nos sconcedeu o artefato em troca de alguns reais, moeda local do Brasil. A borda, apesar de um mármore digno de Barcelona, é bem chata de entrar e para sair possui um espaço um tanto quanto claustrofóbico devido à uma viga preta que se ergue junto ao fim do obstáculo. Caio e Deco já começaram a se empenhar logo na chegada ao local, com alguns 50–50`s para aquecer. Não tardou para o nível subir e Deco já começar a tirar um F/S Nosegrind da manga, que não foi concretizado mas estava bastante bonito de se ver. Depois de severas tentavias na enjoada borda, saiu o primeiro B/S Grind de Caio Youssef, que realmente encaixou certo e correu até o final sem sequer enconstar o tail na borda, primoroso, perfeito e impressionante. Muita vela, suor e pouca luz nunca foram tão bem utilizados desde anteontem. A manobra custou mas saiu redonda, mais uma marretada estava dada e partiríamos para um pouco mais longe em alguns instantes após a foto ser devidamente concretizada.

B/S Grind

O dia já havia virado, passava da meia-noite, quando Caio propôs que fôsssemos ao Morumbi para ele nos mostrar um lugar que era de seu agrado e que podia render uma boa foto. Zarpamos, checamos alguns outros lugares em potencial para irmos, como uma longa borda descendo num prédio comercial na Av. Vereador José Diniz, e nos dirigimos até o local pretendido. Passando a Ponte do Morumbi, chegamos à uma sequência de diferentes obstáculos, como rampas, alguns canos na altura do joelho e outras peripécias. Porém, a missão verdadeira era num posto de gasolina de esquina, que possuía uma alta mureta desovando em uma rampa íngrime. No primeiro momento, a idéia era de tentar um Ollie entre dois postes bastante próximos um do outro, caindo para a rampa, mas eis que a idéia, concretizada sem problemas, evoluiu para algo maior.

A idéia de pular entre os postes evoluiu para um Ollie por cima da mureta ao lado da bomba de pneu do posto, que já possuía o tamanho duma pessoa, dropando para a rampa e desaguando na Avenida. Caio ponderou muito sobre a tentativa, que realmente lhe custaria muita perna, armou um pequeno madeirite por cima de uma vala que atrapalhava a vinda em direção à mureta, que era um pouco abaixo do joelho (porém necessitava um Ollie um pouco mais esticado) e partiu pro abate. Lançou a primeira para ver como era, viu que era possível e já se aventurou a tentar mais algumas. Esse foi o ponto alto da noite, era uma batalha incessante entre skatista e obstáculo, onde ninguém queria sair derrotado, a honra estava em jogo. A batalha rendeu inúmeras tentativas, hematomas, impactos violentos (tanto do skatista quanto do instrumento, que saiu bastante danificado) e instiga de acertar logo a manobra antes que as pernas esfalecessem. A coisa ia evoluindo, Caio estava cada vez mais próximo, já havia abandonado o vício de ejetar o skate antes do solo e vinha caindo em cima na manobra à pelo menos 3 tentativas quando o pior aconteceu: Foi um estrondo, aquele barulho que todos temem, que faz as velhinhas mais recalcadas esconderem suas netas. A maneira como Caio, já extremamente cansado, levantou já denunciava tudo, era um adeus às tentativas, o shape quebrou no tail. Foi uma tristeza geral, pois a batalha estava pendendo para o lado do skatista, porém, como acontece nas melhores famílias, um impacto com peso um pouco mais desbalanceado acabara rendendo o shape. Mas nada que pudesse acabar com o bom humor e descontração do nosso valente soldado.

Ollie que por pouco não foi concretizado

O bairro do Morumbi é sempre uma surpresa agradável (há quem diga que não), principalmente quando você não espera que uma caminhonete com um iate de 5 metros de altura passe em frente à onde você e seus amiguinhos. A sessão no posto serviu para fechar a primeira parte da saga, que já rendeu algumas boas manobras e, mais importante que isso, mais uma noite desbravando a cidade com os cavalheiros mais finos do desporto nacional. Na segunda parte, a guerra continua, e tirará do forno consigo mais algumas manobras desbravatórias.