OneSeshDv — Recantos da Noite Paulistana

OneDv

05/07/2010

Fotos: Leandro Furini

Texto: Joe Borges


É, amigos.. o OneDv tem a resposta! Nesta quarta-feira, dia 30 de junho, ocorreu mais uma sessão noturna, desta vez, pelas ruas da Vila Olímpia e região central da cidade.

A sessão teve início no Parque do Ibirapuera (como de costume), onde todos os correspondentes do OneDv se encontraram. Com equipe completa (coisa rara), fizemos um rolêzinho de leve por lá, encontramos velhos conhecidos (como a lenda viva da Marquise, Vinícius Nicolaidis) e depois de muita conversa e manobras no chão infinito, seguimos nosso caminho em busca de um corrimão de 7 degraus, que um amigo nosso de muito tempo já havia descido e resolvemos levar Leo Fagunço até lá. No caminho paramos no gloriosíssimo Pão de Açucar para um abastecimento de pilhas, guloseimas e afins, para então partirmos em direção ao corrimão tão desejado. O pico se localiza no América, tradicional lanchonete da tão badalada noite paulistana, na esquina da Av. Hélio Pelegrino com uma outra que não consta em nossos arquivos. O pico é perfeito, tendo problemas apenas em relação ao chão. Mas bom, foda-se, mesmo com todo o chão bom do mundo, um humilde ser humano bem vestido e cumpridor de seu dever pode estragar tudo: o segurança.

Estacionamos o carro um pouco antes do corrimão, de modo que o segurança não nos visse. Estávamos em dois carros: um munido de lanches e refrigerantes com Leandro na direção, Joe no Club Social (daqueles de recheio que nem no comercial, muito bom), Leo na bolacha sem gosto e Bruno “Bh” dando apoio moral; e outro com Raphael Pezão e Douglas Catarina, munidos de muita coragem, bravura e compaixão, virtudes que lhes são peculiares. Enfim, descemos do carro e começamos a montar os equipamentos, enquanto Leo se aquecia na rua. Demoramos ainda uns 15 minutos até que a primeira tentativa fosse concretizada. O movimento estava fraco, o que nos levou a crer que andaríamos lá por um bom tempo. Leo tentou umas 4 vezes sem sucesso seu F/S Rockslide, porém um acontecimento mudou tudo: a chegada do segurança. Minutos antes presenciamos uma cena hilária: Um funcionário da lanchonete nos olhava atônito com sua vassourinha na mão, logo pensamos: “Putz.. O cara vai encher o saco já..”, só que o indivíduo estava é empolgado com as tentativas e vibrando lá de dentro! Infelizmente não conseguimos uma foto dele. Voltando ao que importa, o segurança chegou como quem não queria nada e se pôs à frente do corrimão, falando que não podiamos andar lá e outras coisas que todos já imaginam. Resolvemos então conversar com ele dizendo que era para um trabalho de faculdade, mas mesmo assim ele foi irredutível. Sendo bem-humorado e simpático do jeito que ele foi não há problema algum, já que esse é o trabalho dele, e como ele mesmo disse “É.. Vocês tão na faculdade e eu se perder o emprego tô lascado..”. Fomos embora do pico, um tanto quanto frustrados pois Leo, apesar da foto, não conseguiu acertar o F/S Rockslide, e partimos heróicamente em busca de um novo lugar para filmar.

F/S Rockslide não concretizado

Saindo do corrimão, fomos para um clássico estacionamento de Moema. Haviam alguns corrimãos no chão que davam para uma pequena ladeira, muito interessante, porém, ao chegarmos lá, resolvemos utilizar o pico de outra maneira. Já era mais de 23h30 e o estacionamento era na parte térrea de um prédio com algumas lojas, Leo Fagulhas avistou o inusitado: Uma laje curta e alta que tinha um alto despenco para a rampa do estacionamento subterrâneo do prédio. O lugar era extremamente apertado, e Leo se pôs a tentar a manobra. Quase chegou a acertar, caindo na rampa três vezes mas não conseguindo dar continuidade, era apenas uma questão de minutos. Eis que um morador solta um sonoro berro: “Ah ô favela! Vou chamar a polícia!”. Ainda deu tempo de algumas tentativas, mas tivemos que ir embora pra evitar maiores problemas. É, segunda expulsão (sendo que esse não foi exatamente o caso) da noite em menos de 1 hora. Uma pena, pois mais uma ou duas tentativas e Leo Fagordo voltaria a manobra.

Ollie para a rampa quase concretizado

Depois dos problemas com a vizinhança pacata, tomamos uma decisão radical: sair do conforto de Moema e ir para a selvageria do centro da cidade. Tomamos o caminho da Av. Angélica. Nos dois carros, nos dirigimos até o local e descemos ela inteira em busca de alguns picos para filmar. Bem lentamente, íamos descendo em cada borda, corrimão, etc que víamos. O primeiro lugar foi uma escadinha de 5 degraus. Leo Fagundez e Bruno Dias, companheiro de sessão, tentaram algumas manobras de aquecimento na escada. Em algumas tentativas, Bruno “BH” sacou um S/S Ollie do bolso, porém na vez de Leo Fagula, o segurança do estabelecimento soôu um sonoro alarme que irritaria até o monge mais zen do Tibet. Infelizmente, tivemos que deixar o local antes que Leo sequer tentasse alguma manobra na escada, que possuía também um corrimão curto ao seu lado.

A nossa segunda parada foi num prédio em construção com um corrimão vindo de cima da borda, perfeito! Infelizmente não temos registros fotográficos do lugar, pelo simples fato de que assim que paramos os carros, brotaram 3 seguranças de preto (ninguém sabe daonde) por trás do vidro. Saindo de lá, do outro lado da rua, havia uma borda de mármore com uma escada de 3 degraus, muito bonita. Velamos a borda e Douglas Catarina se aventurou a tentar um B/S Noseslide, bastante difícil pelo curto espaço para pegar velocidade. Eis que o mais impressionante aconteceu: fomos expulsos de novo, para a surpresa geral, por um segurança folgado e filho da puta, ao contrário do primeiro, do América. A essa altura da noite já estávamos um tanto quanto desencorajados. Descemos toda a Angélica, quase até o Metrô Marechal e voltamos, sem sucesso na busca de novos lugares para andar sem que ninguém enchesse o saco. Raphael Pezão e Douglas Catarina foram embora, já era mais de 1h da manhã e eles teriam que acordar cedo, nada mais justo. Ficamos nós quatro por fim.

S/S Ollie
B/S Noseslide

Perto do começo da Angélica e do túnel que liga a Av. Paulista com a Av. Dr. Arnaldo, há uma praça redonda, de chão duvidoso, porém com duas bordas muito interessantes, uma mais baixa e outra mais alta, sendo que você pode vir da mais baixa para a mais alta. Um pico muito difícil, que exige muito controle por causa do espaço apertado da borda menor e muito pop nas pernas, pela altura da borda maior. A praça é conhecida pela presença de mendigos, porém dessa vez não havia nenhum (pelo menos até o momento que chegamos). Já fomos arrumando todos os equipamentos e não tardou muito para a sessão voltar a fervilhar. Quando achávamos que aquela noite não ia dar em mais nada, Leo Fagundes tira da manga um F/S Nosegrind despencando na borda maior, uma das manobras mais impressionantes que já registramos no blog. Depois de um F/S Rock para aquecer e mais de 30 tentativas, Leo volta perfeitamente a manobra com maestria e para o delírio da madrugada paulistana, e do mendigo “classe alta” que estava prestigiando o momento, que segundo relatos do mesmo, já morou em um prédio abastado em Moema, já foi dj, tocou em vários países, andava de skate e agora havia sucumbido às drogas. O importante é que nossa missão foi cumprida com louvor, e a dele digamos que nem tanto. Alguma manobra tinha que voltar nas quatro, e essa voltou.

F/S Rockslide

Andar de skate nas ruas de São Paulo é isso mesmo: expulsões, intrigas, dramas, problemas com a lei e outros delitos contra a integridade dessa frágil sociedade. E é baseado nisso que o OneDv afirma com toda a convicção: Se não fosse assim não teria graça.