O que esperar da internet nas eleições?

O eleitor internauta será o grande protagonista das campanhas

O mundo está online e cada vez mais as pessoas estão dedicando grande parte do seu tempo à internet. O jovem, em maior quantidade, mas em todas as faixas etárias e classes sociais as pessoas estão se relacionando e tomando decisões a partir das suas redes sociais. Nas eleições deste ano não vai ser diferente.

Se nas últimas campanhas a internet já vinha assumindo um papel importante nesse processo eleitoral, este ano ela está cotada para ser a grande vedete. E o eleitor internauta se prepara para assumir o protagonismo nesse cenário eleitoral, que passará por uma verdadeira transformação com o olhar crítico desse público movido à interatividade.

Com a proximidade dessa verdadeira revolução na maneira de se fazer campanha política no Brasil tem um perguntinha que não quer calar: os políticos estão preparados para esse desafio? A verdade é que ainda tem candidato atuando na arena do marketing político digital como se estivesse distribuindo santinho no meio da rua. Sem contar aqueles que mantém suas redes sociais “aos cuidados do sobrinho que gosta de internet”.

Uma coisa é certa, a legislação eleitoral é bem clara nas regras de uso da Internet em campanhas de marketing político eleitoral e as multas variam de R$ 5.000 a R$ 30.000. E o maior problema não é a multa, mas sim o estrago que uma pessoa não qualificada pode fazer em termos de imagem digital do candidato.

Recente pesquisa do Ibope mostrou que 51% dos brasileiros leram informações sobre política no Facebook, Twitter ou WhatsApp nos últimos 12 meses. Em outro estudo, feito pela mesma empresa, mas realizada na internet, o número chega a 87%.

A pesquisa também indica que as redes sociais têm impactado na reputação dos representantes da sociedade. Para 56% dos entrevistados, as informações compartilhadas contribuíram de forma negativa para a imagem dos políticos. Apenas 27% desses compartilhamentos mudaram para melhor a imagem de políticos.

De olho nesse filão virtual, as pré-campanhas eleitorais mobilizam candidatos e partidos. Mas, de uma forma geral, as investidas nessa seara são tímidas, com pouquíssima criatividade, o que revela um certo receio em relação aos efeitos destruidores de redes sociais mal administradas.

Os candidatos precisam divulgar suas ações políticas, mas devem aprender a se defender com ousadia e credibilidade para não cair em ondas de boatos. Os questionamentos devem ser respondidos com firmeza e agilidade, sem nunca perder o bom humor.

Nas campanhas deste ano, o político que compreender bem esse cenário terá inúmeras alternativas para trabalhar com marketing digital. Com a proibição do financiamento eleitoral por empresas, conjugada com a atual crise econômica, as campanhas deste ano terão que ser mais enxutas. Por isso mesmo, a internet se destaca pois apresenta custo menor que outras plataformas convencionais de campanha.

Mas para obter sucesso é indispensável conhecer as ferramentas que fazem a diferença na hora de interagir com o eleitor. Isso tem de ser levado muito a sério no Brasil, país que mais se mobiliza politicamente pela internet. Essa constatação foi apresentada pelo Ibope, em recente levantamento feito em conjunto com agências de pesquisa de outros países da América Latina e América do Norte.

Ao todo, três pesquisas recentes confirmam que a internet, com seus sites, blogs e redes sociais, terão um papel decisivo nas eleições deste ano no Brasil. Relatório anual sobre notícias digitais (“Digital News Report-2014”), publicado pelo Instituto Reuters de Estudo do Jornalismo, ligado à Universidade de Oxford (Inglaterra), feito a partir de entrevistas com 18 mil pessoas em dez países, revela que o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial no uso dos meios digitais.

A pesquisa da ComScore também traz estatísticas atualizadas sobre a rede no Brasil, com dados comparativos para a América Latina e o mundo. Os números comprovam que o país é um dos mais entusiasmados com a internet. Entre outros dados, a pesquisa mostra que os brasileiros seguem liderando o engajamento online, com usuários que navegam 29,7 horas por mês, sete horas a mais do que a média mundial.

Esses estudos deixam claro que não funciona mais desenvolver estratégias de marketing digital sem o controle de profissionais especializados para disputar ideias nesta guerrilha online. O universo virtual abre espaço para os piores instintos, com muitas baixarias e agressões, mas também permite a produção de conteúdo jornalístico qualificado.

Para fazer marketing político na Internet é preciso criar campanhas totalmente diferentes. Ao contrário das ferramentas de marketing eleitoral do ambiente físico, o marketing eleitoral na internet possibilita a interação dos usuários, o que faz toda a diferença. Na web, o processo de convencimento é muito mais sutil e elaborado. A interatividade é a ferramenta chave do marketing político digital.

Os eleitores tem na Internet a possibilidade de dialogar com os candidatos e por isso as campanhas precisam focar no engajamento e não somente na exposição da imagem do candidato, como no marketing político convencional.

Por isso mesmo, ao cogitar sobre a adoção de um planejamento de marketing político na Internet o candidato deve ter em mente que essencial é ter engajamento e interação com o eleitor, sem os quais não vale nem a pena pensar em marketing político digital.

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