Olimpíadas deixam um grande legado para os políticos

As campanhas eleitorais têm muito a se inspirar na garra dos atletas

Sem o biotipo padrão para um velocista, o “calcanhar de Aquiles” de Bolt é a largada. Muito alto, não consegue acompanhar seus concorrentes nos primeiros metros, mas graças à sua altura, consegue “compensar” no restante

Agora é pra valer! A partir de 16 de agosto os candidatos estão liberados para sair às ruas em busca de votos no famoso corpo-a-corpo. Mas nessa primeira semana é provável que a política não mereça grande atenção dos brasileiros. Os candidatos terão de disputar a atenção dos eleitores com os jogos olímpicos, previsto para encerrar no dia 21 de agosto.

Para o Comitê Olímpico Internacional, a atual situação política e econômica do Brasil fez dos Jogos do Rio “os mais difíceis da história”. As Olimpíadas ocorrem em meio ao processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff e foram precedidas pela turbulenta transição para o governo do presidente interino, Michel Temer.

Mas apesar da crise política, as Olimpíadas e seus atletas estrelados deixam grandes lições para os brasileiros, até mesmo porque a expectativa sobre o fracasso das Olimpíadas era bem maior. Mas bastou o reconhecimento internacional da festa de abertura, com bons ritmos no estilo brazuca, e o desfile da top Gisele Bundchen para empolgar a galera verde e amarela, que logo depois foi ao delírio com a conquista de uma medalha de ouro por Rafaela Silva, que entra para a história do judô com sua determinação.

Garra e determinação de Rafaela silva são exemplos que ficam

A disciplina e garra de atletas “imortais” têm muito a ensinar aos políticos brasileiros. Para chegar ao topo do pódio eles treinam durante anos, todos os dias, com verdadeira dedicação. São obstinados para conquistar uma medalha, vibram, choram e nos emocionam de verdade. Mas, na contramão desses “semideuses” que encantam o mundo, tem muita história olímpica fora do pódio que gera decepção e tristeza.

Se as campanhas eleitorais deste ano têm muito o que se espelhar na garra desses campeões "imortais", têm também exemplos de quem burlou as regras e acabou se dando muito mal. Vai ficar na história o caso do etíope Robel, "a baleia". Ele participou dos Jogos de 2016 graças às cotas criadas pelo Comité Olímpico Internacional (COI) para estimular a prática da modalidade nos países periféricos. O problema é que chegou ao dia da prova visivelmente fora de forma e se deu mal. Foi acusado no seu país de favorecimento, por ser o filho do presidente da federação etíope de natação, e taxado como o símbolo do racismo, favoritismo e incompetência, que seu país luta para disseminar.

Gordinho e acusado de favoritismo, o etíope Robel ficou em último lugar nas eliminatórias dos 100m livres

Na política, casos de favoritismo e incompetência se tornaram corriqueiros no Brasil, mas nas atuais eleições, em um mês e meio de campanha não será tarefa fácil reverter problemas de imagem. O candidatos devem ter cuidado redobrado com antigas armações que no passado garantiram vitórias, pois este ano o cenário será totalmente diferente. O eleitor brasileiro está mais crítico, participa da vida política e tem a seu favor as redes sociais com informações que rapidamente se viralizam para desmascarar o que não for real e concreto.

Quem nunca teve um problema ou algum deslize na vida que atire a primeira pedra. Por isso mesmo, o eleitor sabe respeitar a história de vida do político que é transparente, assume os erros e mostra que aprendeu com isso. Mas ainda tem candidato que insiste em decepcionar no quesito sinceridade. Nos jogos, a mentira mostrou que tem pernas curtas, foi o caso da jogadora de vôlei porto-riquenha Diana Reyes, que escondeu sua gravidez de cinco meses para poder participar dos Jogos Olímpicos. Mesmo tendo descoberto antes de embarcar para o Rio que estava esperando uma criança, ela deixou para contar à sua equipe no momento final. Fez feio!

O nadador americano Michael Phelps é exemplo de superação

Mas são maiores os exemplos que nos enchem de orgulho pela superação de obstáculos, como o nadador americano Michael Phelps, a ginasta artística Simone Bailes e o velocista Usain Bolt, que mais parece um raio. Eles têm muito a ensinar aos políticos nessas eleições, que serão rápidas e vão acontecer em meio a uma crise política e econômica. Exatamente por isso, a capacidade de inovar, mostrar competência, carisma, determinação e sinceridade vão fazer a diferença. E nesse cenário, o eleitor brasileiro vai para as urnas preparado para levar ao pódio os candidatos que não perderem o verdadeiro “espírito olímpico”.

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