Com o impeachment, não virá algo muito pior?

Honey, I’m home!

Michel Temer jamais seria o vice-presidente de minha escolha. Quem o escolheu foi quem votou na Dilma.

Dito isso, um governo Temer não seria pior que Dilma. Está longe de ser bom, mas é o que tem para hoje.

Em primeiríssimo lugar porque a queda de Dilma já tem, por si só, efeitos positivos. Pune um governo notoriamente criminoso — das pedaladas à obstrução da Justiça — , tira o maior causador do desastre econômico que vivemos (e que já quer piorá-lo ainda mais) e destrava a política, permitindo os primeiros passos em alguma direção nova.

A Lava-Jato não vai parar com Dilma. Renan e Cunha já são carta fora do baralho. Resta saber se Temer tem algo que o comprometa. É bem possível que sim. Até o momento, não chegou nele. Ele seria, portanto, uma liderança com um pouco menos de corda no pescoço.

O que um governo Temer poderia fazer? O manifesto do PMDB do fim do ano passado acena para uma direção correta: de conserto do Estado brasileiro. Oportunisticamente, aderiu a uma agenda de coloração liberal. Caberá ao Congresso — e, para pressioná-lo, a sociedade civil e as ruas— se unir para apoiar alguma medida nesse sentido.

Não haveria legitimidade para nenhuma reforma profunda. Deixemos isso para depois das urnas. Um legado possível de um governo Temer seria mais modesto: o ajuste fiscal episódico. Cortar gastos ou buscar receitas excepcionais para compensar um pouco o rombo desses anos, reconquistando alguma confiança de investidores no Brasil. Demitir comissionados, cortar supersalários, acabar com programas pouco eficazes. Idealmente, alguma privatização entraria nesse pacote.

Isso o PMDB pode fazer. O que ele não é capaz de fazer é criar um projeto para o Brasil. Esse partido, mais do que todos, define-se pela ausência de identidade.

O PT, desde a primeira campanha de Dilma, matou a discussão de uma agenda para o país. Ficamos sem um horizonte, sem um norte; trocando acusações, inspirando o medo e, no mais, tentando manter a cabeça pra fora d’água.

Uma vitória do PMDB em 2018 será uma tragédia espiritual para o Brasil. Um interregno de dois anos, ainda que conturbado, será melhor do que o prolongamento do pesadelo de corrupção e incompetência que vivemos.