A garrafa de Gin.

Eu tenho uma teoria sobre relacionamentos, que até hoje me foi bem eficaz. Ela consiste basicamente em comprar uma garrafa de Gin toda vez que entrar em um relacionamento e deixá-la guardada, separada das outras para não acabar se perdendo no seu bar. O que fazer com ela depois disso eu acredito que esteja bem claro: beber. Mas apenas em momentos bem específicos!(friso bem esse ponto) Quando a outra pessoa lhe chateia ou magoa você toma o Gin, o suficiente para que lhe passe a preocupação ou a mágoa.

Quanto mais difíceis e mais frequentes os aborrecimentos, mais rápido a garrafa irá secar. Quanto mas brandos e raros forem os motivos de chateação, mais tempo durará a garrafa e consequentemente o relacionamento. Sim, pois a idéia é que uma vez seca a garrafa é dada para esse par, com uma carta dentro explicando todos os motivos para o fim. Nunca falhou minha técnica e tenho dezenas de imitadores espalhados por aí, eu garanto.

Porém venho aqui não me gabar, mas me queixar, não sei o que está acontecendo, mas minha teoria está falhando dessa vez. Não importa o quanto eu beba, a garrafa continua na metade! Isso nunca aconteceu antes, a primeira vez que me aconteceu isso foi justamente com essa garota! Teve essa vez, por exemplo, que ela simplesmente me ignorou quando a convidei para um queijos e vinhos na casa de uns amigos. Eu bebi 5 doses só naquela noite, mas nada de a garrafa acabar!

E cada vez eu bebo mais, como se cada vez mais eu ficasse com mais pressa de chegar ao fim dela. Acho que as insatisfações são mero pretexto para beber as dezenas de litros que magicamente que saem daquela garrafa de 1 litro. Hoje mesmo pela manhã tomei um copo cheio apenas por lembrar que essa garota só come pizza sem queijo, quem diabos pode aceitar uma pizza que não tenha queijo?

Acredito que a essa altura é obrigação minha admitir que não há nada de errado com essa velha garrafa de Gin. Eu mesmo a encho de Gin todas as noites, até a metade. E novamente, eu não sei o que acontece, isso nunca aconteceu antes! Sempre que a garrafa chega perto do seu fim eu ponho mais bebida nela.

Talvez eu tenha medo de tomar aquele ultimo gole. Mas o que teria de tão intragável nesse ultimo gole? O sabor floral da primeira garrafa já se diluiu em tantos litros de Gin barato, seria um gole tão genérico que todos esses que tenho tomado todo esse tempo.

Nunca me dediquei de verdade as cartas que mandava junto as garrafas, mas talvez seja a falta de criatividade ou paciência de escrever mais uma que me faça encher a garrafa. Não importa quanto me incomode, nada me parece justo de escrever nessa possível carta. O que importa mesmo é que eu não sei o que fazer nessa situação. Não paro de beber a meses.

Será que dou o ultimo gole e esqueço da carta? Será que a dou a garrafa pela metade ou no último gole e parto? Ou será que troco o Gin pela água da torneira, que ela sempre me ofereceu?


Esse texto é mais um daqueles que escrevo em primeira pessoa, muito inspirado na minha própria vida mas que não necessariamente as opiniões do personagem são as mesmas que as minhas. Esse em especial foi o primeiro de muitos que pipocaram na minha cabeça nesse momento em que estou totalmente em transe por causa de uma essoa, espero eu que não por muito tempo. O personagem é bem egocêntrico e meio que se encontra perdido numa situação em que ele realmente gosta e se importa com alguém. Se fosse refletir em mim, eu com certeza seria o contrário, quase sempre gosto muito das pessoas com quem me relaciono e coleciono as garrafas que já ganhei.
Eu acho que fica o desafio, para quem quiser, refletir sobre as metáforas que espalhei pelo texto. E se tiver algum conselho sobre o texto ou sobre a vida, fique a vontade para comentar.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.