Citando do meu jeito

Quando você é universitário e no seu primeiro período você se depara com um texto qualquer de 30 páginas e mais de 100 notas de rodapé você pensa, nunca vou ler tanta assim na minha vida. Conforme os períodos passam você percebe que já começam a acumular pilhas de papel em seu quarto e não há onde guardar todos esses textos. Fora o remorço de pensar na quatidade de árvore que foram sacrificadas para que você pudesse ler esses textos. Nesse intuito você passar a abolir os textos impressos da sua vida acadêmica, optando por uma opção mais ecológica e prática, você pensava.

De fato abolir os papéis é sim ecológico, mas pode não ser tão prático quanto parece. Principalmente quando se trata de referenciar e fichar esses textos. Mas depois de muita apanhar pra esses textos, descobri um método que funciona pra mim e pode te ajudar a projetar um esquema que funcione pra você:

# 1. Consiga os textos em mídia eletrônica

Muitos professores preferem mandar os textos já em PDF, mas caso não disponibilize é necessário que alguém invista o seu tempo em scanear todos esses papéis. Peça pro professor as cópia digitais, o argumento da ecologia pode ser promissor nessa tentativa. No caso de livros indicados, pode ser que os encontre na internet e o procedimento será o mesmo.

# 2. Taca tudo no Dropbox!

Perder textos em PDF é muito fácil, principalmente quando se tem um monte deles. Os textos quase nunca vem os nomes certinhos, então é muito fácil perder eles no meio de outros PDFs também com nomes confusos. Então pra evitar apagar algum texto por acidente ou não saber em qual pasta colocou, deixa tudo em uma mesma página no dropbox que a gente vai dar um jeito agora.

# 3. Use o Mendeley e o Calibre.

Esses são dois softwares muito bons para quem lida com livros, cada um tem as suas particularidades e utilidades. Eu uso os dois, mas dependendo do que vai fazer pode preferir um ou outro.

O Mendeley é um software gratuito em que você pode organizar os seus arquivos PDF. Ele permite que você edite qual o tipo de texto: artigo de jornal, artigo em periódico, capitulo de livro, livro inteiro, revista, etc. Você pode preencher o autor, a editora e até fazer anotações sobre as publicações. Com o banco de dados online você pode buscar referências que estejam faltando. Ele permite inclusive que você exporte essas referências para o Word ou outras ferramentas que vamos falar depois. Ah, obviamente você também pode ler os PDFs com esse software.

O Calibre tem o intuito de gerencias livros eletrônicos, principalmente ePub. Ele permite que você importe vários formatos de arquivo: ePub, mobi, doc, PDF, cbz, cbr. Ele também possui a função de buscar as informações do livro na internet, mas a sua função serve mais para livros que para artigos, ele é menos acadêmico.

Mas porque eu uso o Calibre ao invés de usar só o Mendeley? Bem, o Calibre me permite usar arquivos ePub, que posso ler diretamente nele ou no meu Kobo. Ele também me permite exportar os livros diretamente para o Kobo, sem deixar tudo desarrumado dentro do leitor. Sem ele eu precisaria procurar manualmente na internet as referências dos livros ePub que leio.

# 4. Ler!

Parece óbvio, mas nem é tanto assim. As vezes nos empolgamos com o quão organizada está a nossa biblioteca que esquecemos que ela é para ser lida. Com esses dois softwares eu consigo ler no computador ou no Kobo todos os textos que preciso, fazer anotações e escolher os que vou utilizar ou não.

É imporante saber o que vai ser utilizado para ficar mais prático o uso da próxima ferramenta.

# 5. Jogar tudo no RefME

Esse é um aplicativo de smartphone que pode ser acessado pela browser também. Ele tem uma função parecida com a do Mendeley de administrar as suas citações, mas ele é capaz de referenciar qualquer coisa em praticamnete qualquer padrão existente: ABNT, APA, HARVARD, são mais de 7000 formas. Ele permite que você acesse essas referências de qualquer lugar, classificar por projeto e exportar direto pro Word.

Se estiver com o livro da biblioteca ou qualquer outro meio físico, pode tirar a foto do código de barrar do livro e o RefME vai buscar na internet a referência dele.

Quando tiver escolhido os textos que irá usar você pode selecioná-los e exportá-los com o Mendeley que o RefME irá importar e transformar direto para o padrão que escolher. O Calibre não permite que exporte as referências, mas ele é capaz de me informar o ISBN do livro, que posso inserir no RefME e encontrar o livro da mesma forma.

E lá estão todas as minhas referências classificadas por projeto, ou seja, por onde irei usar cada uma pra não me perder. Em baixo da cada livro ou texto estão as citações que fiz dele, para fácil referência. E ainda pra melhorar as coisas, posso incluir cocaboradores ao meu projeto, assim se estiver fazendo algum projeto junto de alguma pessoa, essa pessoa pode ver o que estou citando e também vejo o que ela está citando.

Conclusão

Não serei metido de dizer que já usei todas as funções que citei, não utilizei, mas algumas pessoas podem achar útil. Não uso as citações do Word, podem ocorrer alguns bugs e a referência ficar praticamente inteligivel, mas é muito prático ter uma ferramenta em que você pode simplesmente copiar e colar a referência que precisa.

Ter as referências todas em um mesmo local, podendo acessá-las pelo celular ou qualquer computador, sem instalar nada, também é um mão na roda. E ter aplicativos que organizem os textos e livros pra você é muito importante, você acaba perdendo mais tempo procurando as referências de um livro mal digitalizado que realmente lendo ele.

Talvez a principal vantagem em que eu vejo nisso tudo é não precisar recorrer a blogs e sites aleatórios toda vez que for referenciar um trabalho. Na pressa acabamos usando referências erradas e sendo prejudicados por isso, sendo que o que deveria realmente importar é o que escrevemos.

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