Como trazer Paes em 2016? (Receita Fácil)

1- Encontre uma crise.

Essa coisas acontecem o tempo todo no capitalismo, podem chegar mais cedo ou mais tarde, mas chegam. Não importa se for pequena ou grande, o que importa é que ela exista, que nos próximos passos nós resolvemos essa questão.

2- (Opcional) Peça a ajuda dos amigos na construção da crise.

Em termos simples, uma crise acontece da seguinte forma: Alguém investe em uma coisa e ela dá muito lucro, logo outras pessoas vêm e o lucro de todo mundo começa a cair, até o ponto que ninguém mais consegue lucrar. A isso damos o nome de crise, quando pessoas ricas não conseguem ficar mais ricas.

Seus amigos podem ajudar fazendo esquemas como esse. Pegando empréstimos milionários, investindo em mineração e quando não tiver mais nada pra tirar das minas, dizer que não tem mais dinheiro. Assim os bancos que emprestaram dinheiro pra ele vão exigir que o governo corte gastos sociais para lhes dar o dinheiro e tapar o calote que o seu amigo deixou.

3- Engorde a crise, mas cuidado para não expor os empresários.

Como deve ter percebido, uma crise não se faz apenas com um governo. Seja uma crise de representação, financeira ou de corrupção. Todas elas precisam que algum empresário por trás lucrando com a crise, afinal é isso que queremos no fim das contas.

Vamos precisar engordar essa crise, fazer com que ela pareça maior e que a culpa seja do governo. A mídia é uma ótima ferramenta, junto aos nossos colegas dos grupos alimentícios. Peça que os amigos aumentem seus preços alegando “inflação” e que a mídia noticie qualquer coisa que aumentou de preço. Um bom estatístico é bem útil nessa hora, afinal, como eles dizem, “estatística é a arte de torturar os números até que eles digam aquilo que você quer”.

4- Culpe o governo.

Uma vez que todos sabem da crise e acham ela algo absurdo e gigantesco, convença eles que a culpa é do governo federal. Lembra que falamos de deixar os empresários de lado? Então, nessa hora a oposição pode começar a tentar evidencia-los, mas se trouxer uma mídia forte para incriminar o governo federal, tanto esses empresários quanto seus aliados nos governos locais vão estar a salvo.

5- Diga o querem ouvir.

Agora que uma parcela considerável da população já acredita que a crise é culpa do governo e que é necessário mudar, convença-os que você pode resolver. A melhor forma, obviamente, é dizendo o que eles querem escutar. Diga que o governo é ruim, sim, mas lembre que a nossa tradição patriarcal escravocrata deixou algumas marcas fortes que você pode se aproveitar.

É legal nessa hora não centralizar tudo em uma única pessoa, mas em um campo, dá mais profissionalismo pra nossa receita. Tenha alguém para falar mal dos homossexuais, para chamar a atenção de quem não gosta de homossexuais; tenha alguém para falar mal de criminosos, para chamar a atenção de quem acha que eles devem ser exterminados; tenha alguém para falar mal de negros, porque ainda tem gente que acha piada racista engraçada; tenha alguém que fale das mulheres, mesmo que ele seja sutil, o machismo está tão preso nas pessoas que essa pessoa serviria apenas para aquecer esse fogo misógino. Se perceber bem, algum nazistas podem aparecer nesse processo, mas é exatamente por isso que não é você que está falando, mas pessoas do seu campo, assim você se safa das acusações de intolerância e discurso de ódio, mas sua popularidade cresce. Só não esqueça de não falar nada a respeito de minorias.

6- Traga a estorinha do liberalismo.

Você já deve ter ouvido falar que o capitalismo é um sistema que privilegia alguns em detrimento da massa da população, de fato é, mas se falar isso vai perder a credibilidade e estragar a nossa receita. Agora que a maioria confia em você, você precisa fazer com que eles confiem no seu plano de governo, se não vão todos embora. Para isso serve a estorinha do liberalismo, diga que o liberalismo é o sistema onde qualquer um pode ser rico, basta querer. Vale também mudar alguns conceitos, como o próprio capitalismo: Ao invés de dizer que é o sistema de acumulação de capital, diga que é o sistema onde existe comércio. É uma mentirinha boba, mas vai fazer todos acharem que o mundo sempre foi capitalista, afinal sempre houve comércio, e vai afastar o pessoal de teorias marxistas e socialistas.

Agora é uma boa hora de trazer os seus colegas empresários, ou melhor, os filhos deles. Com a galera ainda em dúvida sobre o liberalismo, traga os empresários e diga que eles são ricos por causa do liberalismo, que qualquer um pode ser, basta ser empreendedor. Não se esqueça de por de lado o capital social, capital financeiro, capital cultural e capital político que esses empresários tem, diga que eles são ricos apenas porque tiveram uma boa idéia e que o mundo é assim, boas idéias dão dinheiro sozinhas.

7- Transfira toda essa situação para uma forma política.

De nada adiantaria toda essa massa, se não colocássemos políticos elegíveis na frente deles. Nessa hora a oposição pode fazer alguma pressão ou tentar convencer os mais jovens, mas é exatamente por isso que trouxemos os filhos dos empresários e os intolerantes. Os garotos vão fazer propaganda para você dentro das universidades, dizendo que UNE e movimento social é coisa de comunista, hippie, maconheiro e feminazi. E os intolerantes vão falar na TV e nas igrejas que tem de matar mesmo.

Tenha um grupo solido de políticos, que já foram eleitos na ultima eleição, para dizer essas mesmas coisas na câmara e seus comparsas só precisam dizer “olha lá, essa galera pensa como a gente”. Isso irá trazer uma fé de novo a política, mas do seu lado dessa vez, não dos comunistas, socialistas e esquerdistas.

8- Lance o candidato

Agora que já está tudo preparado, basta esperar a coisa esquentar, o período de eleição chegar. Não deixe a coisa sair do controle, fique sempre de olho pro que a oposição está fazendo, veja se não criam nenhuma brecha na receita.

No fim, é só colocar o Paes, falar como ele foi bacana como prefeito, mesmo todas as remoções, toda a corrupção, todos os superfaturamentos, todos os desaparecidos. Duvido que alguém vá notar, mas se notarem, diga que “pelo menos fez” ou então que a culpa foi do governo.

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