Tenho participado de algumas dessas discussões sobre o medium, e particularmente defendo um…
Carla Soares
11

Eu aprecio muito a troca de idéia que o Medium possibilita, muito talvez por estar no ambiente acadêmico e aqui o intercâmbio de idéias é mínimo, por mais contraditório que isso pareça. Tentamos sempre nas palestrar e colóquios que organizamos desconstruir a hierarquia das idéias, mas isso quase nunca se faz de fato, seja pela questão de tempo cronometrado de fala, da figura do palanque ou do tablado, seja pela própria atitude de um professor a ser escalado na mesma mesa que alguém que não leu a mesma quantidade de livros que ele.

O Medium poderia ter ferramentas de interação melhores. Um chat não seria o meu preferido por seguir a lógica do right on time, um sistema de mensagens privadas interno, uma espécie de e-mail seria de grande ajuda. Mas ainda teríamos o problema dos perfis. O Medium tem o mesmo sistema de “Bios objetiva” que a maioria das outras redes também possuem, um espaço mínimo onde precisamos nos objetificar ao máximo na tentativa de expor quem somos. Lembro inclusive dos tempos do Orkut, onde tínhamos um espaço enorme para destilar tudo aquilo que queríamos expor sobre nós, por mais que esse espaço fosse utiliza para outros fins.

A questão da alteridade também ronda toda essa parte da interação dos usuários. Temos de aprender a lidar com pessoas de uma outra forma, uma forma onde a diferença não seja algo a ser lidado ou aceito, onde a diferença seja algo cotidiano.

Quanto às novas formas de financiamento, concordo totalmente no potencial dessas ferramentas. O que me preocupa, e você até apontou isso no meu texto, é o medo que tenho do capitalismo de se apropriar dessas ferramentas. Tive a experiência de participar do crowdfunding do livro “a garota siririca”, que foi uma experiência maravilhosa, o livro foi publicado sem nenhum fim comercial. Inclusive foi impresso sem código de barras, sendo uma tiragem única fora dos circuitos de livrarias e tudo mais. Por outro lado existem projetos onde empresas e pessoas pedem dinheiro para desenvolver produtos onde os financiadores recebem cartas de agradecimento e usufruto nenhum do produto final. O fim desses projetos acaba sendo apenas o lucro de seus idealizadores com o investimento de um coletivo que é posto de lado.

Vou ler o livro que indicou assim que tiver tempo.

Like what you read? Give Joel Schutz a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.