Noite adentro.

Não sei como aqui em casa consegue ser um lugar barulhento. A nossa tv nem funciona e o costume de colocar uma música para dar um up no ambiente é raro. Rádio então? Deus nos livre! Os programas se resumem em propagandas de supermercado a ligações promocionais que consistem em atender o telefone dizendo frases chaves. O barulho das panelas, os gritos propositais e as risadas muito bem atuadas ao telefone que me irritam. Tenho que apresentar fones de ouvido para minha mãe, não aguento mais escutar de relance palestras do Pe Fábio de Melo, orações de whatsapp, receitas culinárias ou coisas do gênero.
Cristal não deixa de contribuir, seus latidos agudos despertam TODOS os cachorros da vizinhança e em poucos minutos uma opera canina se forma, que mais parece a trilha sonora que rege a abertura dos portões do inferno. Muriçocas com zumbidos finos e aviões com turbinas estrondosas. Tentar ler um livro sobre essas circunstâncias é uma guerra. Odeio aquele tipo de pessoa que diz escuto música enquanto estudo, me ajuda bastante. Ah é? Que maravilha em amigão, mas caguei litros. Nem fodendo que isso funciona comigo, me distraio extremamente fácil. (Agora, enquanto escrevo, Cristal late e sinto as ondas vibrarem meus tímpanos de tal maneira que a informação chega ao cérebro com perfil de dor.) O ambiente ideal para se compreender algo escrito é ao som do silêncio.
Outro motivo que me faz continuar a ler é o nível de envolvimento que me encontro com a obra. O autor me seduz de tal modo que consegue ter minha atenção. Daí que nasce minha relação com a madrugada, não é que prefiro realizar meus afazeres essa hora, a questão é porque consigo com mais conforto. A madrugada é calma, serena e silenciosa. O máximo que se ouve é o motor da geladeira funcionando e algumas carretas passando nas rodovias ao longe.
Entretanto, nem tudo são flores, penso duas vezes antes de executar qualquer movimento brusco durante esse turno. Ir até a cozinha para beber água ou comer algo, levantar o tampo do bidê para me aliviar sem que escute minha mãe levantando para reclamar do horário que estou acordado é quase impossível. JÁ SÃO TRÊS E MEIA DA MANHÃ E VOCÊ TÁ AÍ! Como se nenhum ser humano fizesse isso, que precisasse realizar necessidades durante a madrugada. Quando ela comete o mesmo pecado não me manifesto de maneira nenhuma, no máximo me reviro na cama. Mas antes que o rosário de reclamações se inicie, me deito rapidamente.

Caríssimo leitor! Curtiu o texto? Se sim se aproxime mais, manifeste-se! Dê sua opinião, vamos trocar palavras, bater um bom papo. Afinal, quem não gosta de uma agradável conversa, não é mesmo? Peço que continue me acompanhando e tenha fé, porque dessa cabeça ainda sai muitas outras histórias envolventes.
