Uma história irada.

rolê de bike

Meu primeiro contato com Engenheiros do Hawaii foi no ensino fundamental, durante uma aula de literatura. Não me lembro ao certo da atividade em si, mas a professora Karla Nunes de Souza nos trouxe em forma de vídeo clipe a música Somos Quem Podemos Ser. Atraído, primeiramente, pelo arranjo e dedilhado nunca ouvido antes. Depois a letra me instigou porque citava algo quase infantil, a comparação das nuvens com algodão. O fato dos caras colocarem na música a inocente pronuncia e aviso “Ei cara, as nuvens não são feitas de algodão” é genial.

Faço parte do grupo de pessoas que não entendem quase nada de um som escutado pela primeira vez. Naquele dia minha lista “Pesquisar sobre:” ganhou o item “música sobre nuvens — Engenheiros”. Lógico que ao chegar em casa pesquisei, ouvi com mais atenção, reconheci as várias sacadas inimagináveis escritas por eles, conheci outras autorias e logo estava arriscando covers no violão. O fato de conhecer uma banda sensacional na aula de literatura me fez pensar: Opa, espera aí, nem tudo que está sendo passado ali é um grande tédio, vamos aê nesta de prestar atenção.

Arrisco a dizer que essa foi uma das primeiras boas decisões feitas por mim. Claro que nem tudo foi perfeito, ainda sou traumatizado por ler, no oitavo ano, Laços de Família de Clarice Sem Graça Lispector. Porém chegou o dia interessante, foi proposto uma carta de reconciliação e convencimento. A situação era, você se encontra num relacionamento e acaba perdendo sua aliança, seu objetivo é se explicar para sua/seu parceira(o) e claro, ser persuasivo.

Me lembro de mandar bem nessa atividade. Além de usar argumentos plausíveis e realistas, também manipulei o romantismo ao meu favor (estava apaixonadinho na época). Foi tão bom que a professora pegou meu texto e leu para turma inteira ouvir e diferente da música Linhas Tortas de Gabriel, não fiquei sem graça nem com vontade de fugir, pelo contrário, meu ego foi pro espaço. A cada referência profunda ao amor lida, se ouvia um “hmmmmmmm” das meninas. Pobre Gustavo daquela época, mal sabia ele que aquilo não significara nada.

Ao menos foi ali que descobri que tenho uma leve inclinação pra essa parada de escrita. Que gosto disso e fico feliz vendo os frutos que esse tipo de obra dá. Que devo investir para cada vez mais evoluir. Tempos depois, nessa mesma escola, aconteceu uma palestra sobre vocação. Seguidamente da palavra dos padres e seminaristas os professores assumiram o microfone declarando incentivos motivacionais respectivos às suas disciplinas. A parte interessante foi quando a senhora Karla disse “… existem pessoas não tão boas para escrever, mas já outras possuem um dom fascinante pra isso…” e no momento que ela se referiu aos indivíduos com poder para tal função, a madame olhou para mim sorrindo.

Sei que o discurso foi exagerado, que se enquadra na expressão “quem vê até compra”, que seus olhos poderiam estar em qualquer outra pessoa, mas parem e pensem, não estavam. O tipo de ocasião que levo para a vida toda, agindo como estimulador e que hoje compartilho com vocês.