O conto do vigário da exuberante política brasileira.

U ma constatação: A situação política do Brasil é a mesma de sempre, a diferença é que hoje o acesso a informação é mais fácil, a oposição é mais contundente e a situação patina mais que nos outros casos… de resto é a mesma coisa.

O que me espanta é esse desprezo por uma parte, quando o todo é semelhante e ninguém fica indignado.

No meio de toda turbulência, qualquer gota d’água vira tsunami e as informações que são difundidas vêm carregadas de componentes políticos que não dá pra saber até onde é verdade e até onde é politicagem, sem contar naquilo que não é amplamente divulgado.

Não acho que as delações premiadas sejam ferramentas responsáveis para se punir. A própria legislação brasileira diz que quem acusa tem o ônus da prova. Esses caras que acusam tão entregando o que de prova? A palavra deles? Contra eles já existe prova, inclusive eles já se encontram ou se encontravam presos por isso.

Depois que eles entregam seus pares na corrupção, na mídia vira tudo verdade. Todavia, só algumas dessas verdades são apresentadas.

Por exemplo, nesse último caso ocorrido, Delcídio Amaral, a partir de agora conhecido como cavaleiro do apocalipse, citou diversas pessoas, diversos casos de corrupção, esse cara está nos governos desde o século passado, literalmente.

Quando falou de Furnas disse três coisas, mas que só se fala em duas: que o Aécio, o bobo da corte oposicionista, é beneficiário do programa “Minha Corrupção Minha Vida”; que Dilma agiu como uma gestora quando descobre que estão levando sua empresa para a falência substituído todo mundo, mas ninguém sabe se os demitidos receberam sua carta de recomendação ou não; e que o Eduardo Cunha agiu como o Caim, matando a parceria que tinha com o governo quando Dilma tirou seus aliados e repassadores de dinheiro do comando de Furnas.

Se toda essa “verdade”, que é produto de uma delação premiada de um senador, atestadamente corrupto, for de fato verdadeira, por que só parte dela é divulgada? Por que não se fala da cirurgia feita pela Presidente da República no comando de Furnas não é propagada aos quatro cantos do Brasil como as outras “verdades” são.

Por fim, e não menos inusitado, vem o caso do ex-presidente molusco, O mágico da articulação. Ele entrou no meio do furacão, não sei se totalmente por mérito próprio, de ter se corrompido a tal ponto, ou por um empurrãozinho de vários bicos tucanos, (quem sabe até as duas coisas), se tornando ministro chefe da casa civil, onde já se viu?

Não podemos crucificar o cara ainda, como uma piada que vi recentemente, mas fica meio estranho não? E o pior é que ele pode ser o fiel da balança mais uma vez, salvando politicamente o governo Dilma, com suas articulações, mudança de política econômica e capacidade de convencimento, ou destruído politicamente o nada da governabilidade existente e emitindo um atestado de incompetência do desastroso segundo mandato de Dilma Rousseff.

Para mim, quem mais se prejudica é a pessoa da Dilma Rousseff. Jogada de paraquedas em Brasília, no olho de uma crise (2008 e 2009) que o então presidente categorizou de marolinha, quando na verdade era um tsunami, e colocou Dilma pra surfar esse tsunami, no meio de tubarões em cima de uma prancha de carne.

Acho que a música da vida da Dilma, desde que tornou-se presidente é o Melô do Marinheiro: “Entrei de gaiato no navio. Entrei, entrei, entrei pelo cano. Entrei de gaiato no navio. Entrei, entrei, entrei por engano”. A letra da música diz mais, diz que o marinheiro aceitou o convite, se engajou na causa, foi conhecer a embarcação. Tudo era bem bonito, chamava a atenção.

Mas quando ele percebeu, recebeu um balde, água, sabão, e teve que ir tirar sujeira do convés.

O problema é que o convés do barco Brasil está cheio de gente com os pés melado de lama e ninguém arreda o pé de onde está, e a sujeira está nos pés tanto dos aliados quanto da oposição…

E o futuro é tenebroso. Se Dilma sair, quem entra? Sinceramente, queria que fosse o Lineu Silva, da Grande Família, mas só vejo um monte de Agostinhos Carrara.

O navio hoje navega em meio a uma tempestade, a capitã está tendo que se preocupar com a sujeira no convés e não tem conseguido conduzir o navio de forma adequada. Querem trocar o capitão, tem muita gente de olho na vaga, mas estão atolados na lama lá no convés, ninguém sabe o que vai acontecer.

E o povo? Está trancado no porão do barco, uns batendo panela, travestidos de uma couraça de um falso moralismo descarado, outros ao mesmo tempo que batem panela ficam tramando para afundar o navio pedindo intervenção militar (esses caras não podem ser sérios), outros confiam que o antigo capitão vai ajudar a solucionar o problema, sendo que ele está sob efeito de analgésicos e não se sabe se vai realmente ajudar, outros ficam só esperando qual a novidade do dia.

E assim… O barquinho vai, a tardinha cai…