Acabou-se o que foi doce

A Rio-2016 acabou deixando um gostinho de quero mais, mas a realidade nos espera amanhã

(Twitter: @RealitySocial)

Entre trancos e barrancos, nós conseguimos. A Olimpíada Rio-2016 está oficialmente finalizada. Sim, entre trancos e barrancos mesmo, o país não passa por uma boa situação política-ética-econômica, e propositalmente, apesar de não termos deixado claro, nós deixamos isso de lado para viver este evento que uni povos de todas as partes do globo.

(Guito Moreto/O Globo/NOPP)

As Olimpíadas deste ano foi um deleite para um povo que vinha sofrendo com a falta de moral de quem deveria prover por ele, mas fizemos bonito, não nos abalamos. Não ficamos no top 10 no quadro geral de medalha, mas tivemos o melhor desempenho em Olimpíadas. Tivemos o atleta brasileiro com mais medalhas numa só olimpíada, tivemos uma ótima recepção a seleção feminina de futebol — e espero que continue após o evento — tivemos dores de cabeça com estrangeiros que acharam que aqui é a casa da mãe Joana, enfim, tivemos do bom ao ruim, tivemos tudo, tivemos um evento de encher os olhos. Obviamente, que deixamos de lado problemas que o evento esportivo gerou, principalmente no Rio, e tantos outros que aconteceram em Brasília, e infelizmente o espírito olímpico acabou neste domingo nos trazendo a uma realidade nada agradável e que será complicada de se acostumar novamente.

Eu, que não sou em nada uma pessoa com espírito esportivo, fiquei encantado com o evento — sim, o espírito olímpico chegou nesta alma fria, assisti tudo o que pudi, o que conhecia e o que nem fazia ideia que existia. Conheci atletas, histórias, fiquei maravilhado e torci até pra quem não era do Brasil — não posso fazer nada se tinha gente muito boa fora do território, mas também torci um bocado pra nossa galera. Galera essa que nos chamou atenção por diversos motivos. Destaco alguns: precisamos conhecer mais nossos atletas, investir neles e no futuro dos esportes em geral. Tivemos ótimo desempenho em esportes que nunca tivemos tradição, provando que existe coisa muito boa fora dos estádios de futebol — único foco da grande massa brasileira.

(Lucy Nicholson/Reuters)

A Rio 2016 deixa legado bons e ruins, não podemos negar, deu uma pausa na nossa realidade, a qual teremos que voltar amanhã — segunda-feira sendo sempre chata, né?, mas é isso, tudo o que é bom acaba, foi bom enquanto durou. Com o objetivo maior de unir povos das diferentes partes do mundo, gerando um evento de respeito, cordialidade e amizade, nós brasileiros, no geral, nos saímos bem, e os estrangeiros, boa parte, foram receptivos a nossa cultura bem diferente.

O espírito olímpico dá uma pausa, mas retorna a brilha nas paraolimpíadas e acho que essa é a chance de revivemos a magia que foi as olimpíadas ou pelo menos aproveitarmos mais um pouquinho de algo que é muito bom.

Particularmente, o espírito olímpico deixa em mim uma vontade de acompanhar daqui em diante as olimpíadas que virão — faço isso desde 2004, mas de maneira muito esporádica, normalmente vendo somente a abertura e o encerramento — e torcer pela nossa delegação e pelos atletas que merecerem minha torcida. Foi tanta coisa boa que aconteceu, que nem parei para elencar meus momentos prediletos, isso fica pra próxima — isso se eu lembrar — no entanto, reitero que a cerimônia abertura que foi algo que me encheu os olhos — até as lágrimas, por sinal — talvez tenha sido meu momento predileto, por sinal, elenquei um top 5 dos meus momentos prediletos.

(Via Twitter)

Enfim, acabou-se o que foi doce. Provamos para o mundo que somos capazes de realizar um evento de grande magnitude como uma Olimpíada, tanto que se dependesse da gente a próxima seria por aqui de novo, mas passamos a bola para Tóquio, que tenho certeza que irá arrasar. Rio-2016 deixará saudades e boas lembranças em nós — e olhe que quem fala isso é alguém que estava bem descrente neste evento.

Até #Tokyo2020!