Os desafios da mulher na área da tecnologia

Dos mais de 580 mil profissionais que atuam no Brasil no setor de Tecnologia, apenas 20% são do sexo feminino, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e este problema começa muito antes da primeira entrevista. As faculdades tem uma presença massiva masculina em cursos de exatas.

Mas como mudar essa realidade? O que pode e está sendo feito é colocar o tema em debate. Discutir por que temos tão pouca adesão nos faz dar um passo atrás e entender como chegamos até aqui. É preciso derrubar o paradigma que cursos de Engenharia, Física, Análise e Desenvolvimento de Sistemas tem com o homem quase uma fraternidade. E isso vai muito além de questões de afinidade com o tema. É cultural.

Das mulheres que se arriscam e finalmente conseguem seu espaço no mercado de trabalho, o problema ganha uma nova roupagem: todos as atenções estão voltadas à ela em uma constante de provação de valor, pressão que não é aplicada com a mesma intensidade aos homens. Um mercado que preza pelas horas extras como atestado de competência e penaliza aqueles que precisam da flexibilidade do horário para cuidar dos filhos, jornada dupla que praticamente toda mãe exerce.

Entre se firmar no mercado de trabalho e galgar novas posições, muitas mulheres ficam pelo caminho pois além de todas as dificuldades apresentadas, não se veem representadas no topo da cadeia. É fácil lembrar de nomes como Steve Jobs ou Bill Gates como referência de liderança e inovação, ou Elon Musk da SpaceX na área de pesquisa espacial, mas o mundo precisa de mulheres na liderança, como é o caso da Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook. Representatividade para que a mulher veja o quão ela é tão ou mais capaz que o homem em atingir grandes cargos de liderança.

É preciso quebrar tabus. Um caminho tangível seria empresas incluírem e incentivarem mulheres em seus programas de aperfeiçoamento técnico, com cursos voltados ao desenvolvimento de software, dando iguais oportunidades e pagando o mesmo salário.

Conquistar o próprio espaço, representatividade, mesmas oportunidades e igual remuneração. É isso que vai trazer mais mulheres para este mercado que só tem a crescer, onde elas poderão mostrar seu valor e sua competência, independente de gênero.