Dez chopes Dez Amados

Ponte D. Luís, Porto — Foto de Priscila Giovanella Vivian

Sinto vergonha
Me escondo tamanho é o medo
Coloco o capuz, incorporo o frio do gelo
Não quero me mostrar, não quero me machucar
Tu tem a única arma que pode me matar
Que mata o espírito, não o corpo físico

Sinto que vai me fazer entrar pra casca de novo
Não, eu não quero cair em depressão
Mas desde quando é questão de sim ou não?
Eu me enclausurei com correntes e cadeados
Mas parece que tu tinha a chave mestra
Me abriu como um livro e me libertou dos pecados

Como consolação eu tenho esse chope gelado
Frio e denso, me deixa vagando desanimado
Todo coração, todo tesão
Sensível e necessitado
Mas ainda
Envergonhado