Quando eu tentei não esperar o melhor, aconteceu o pior

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Uma ilustração da expectativa ansiosa mais comum da humanidade: A amorosa.

Ontem

Tentando manter a consciência desperta, identifico o momento que parece ter potencial. Sinto agora que preciso estar no limite. Vou pensar antes de falar, mas não muito, para não perder o tempo da piada. Vou pensar antes de agir, mas não muito, para não perder o tempo do beijo.

Hoje

Pensei antes de ir embora, mas pensei muito, e assisti ao castelo desmoronar. Estava parecendo fruto da imaginação de tão perfeito, e realmente era coisa da minha cabeça. Agora que me choquei com a realidade e sinto meu peito virar uma massa disforme, sei que meus batimentos irão custar a retornar para um nível estável e por enquanto eles não retornam. Desfilo por paranoias com meu rosto enrijecido de raiva por ter nutrindo ricamente uma fantasia surreal. Será que é possível alguém preencher todas as expectativas que essa mente calejada de tombos persiste em criar? Não é justo exigir isso de alguém, mas é triste viver se decepcionando.

Agora leio um curto conto de Dostoiévski e o vejo criar expectativas extremamente fantasiosas ao conhecer uma bela moça que chorava no passeio. Estariam alguns de nós humanos fadados a se decepcionar com pessoas medíocres mediante as nossas expectativas? Porque é tão difícil só viver uma aventura sem esperar que alguém vire de cabeça para baixo nossa monótona existência terrena? Esperamos de alguém de carne, osso e fluídos que revolucione nossa vida em um nível espiritual, mas o nome disso é iluminação, e acontece pela meditação e não transando bêbado de cerveja.

Se é justo ou não, nem é essa a questão. O centro do questionamento é como lidar, e isso eu não conheço quem faça. Abraço pro pessoal do templo budista, esses devem conseguir.

Johnny Oliveira
Escritor
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