Ah, se você visse a si mesma com meus olhos

Você entenderia como meu coração estremece de alegria, medo, ansiedade, desejo e amor, a cada vez que te vejo.

Você talvez entenderia o por quê de às vezes precisar me afastar um pouco de ti. Pois, duvido que haja alguém nesse mundo capaz de lhe admirar tanto assim, como eu lhe admiro. E olha que, afirmar isso, no auge do meu orgulho,é uma tarefa deveras difícil e mantenho-me numa distância confortável justamente para fugir dessa eterna sensação de brilho nos olhos que existe a cada história banal sobre seu dia-a-dia que você me conta, ou sobre seus projetos de vida os quais você tem almejado recentemente, enquanto, em silêncio ou com poucas colocações, apenas acompanho o flow que você dita.

É difícil às vezes lidar com o fato de que, no fundo, eu lhe ache superior a mim mesmo e às outras, mesmo que nos tratemos em pé de igualdade. Há aqueles que foram capazes de perceber tamanha idolatria, quase um culto à personalidade, que existe quando estou a olhar no fundo dos seus olhos e distraidamente me perder na sua fala, que se envereda em tantos assuntos que facilmente me perco nela e apenas presto atenção no timbre de sua voz, acompanhando o movimento dos seus braços, o eterno sorriso que se esboça em seus lábios, sua postura sempre altiva, seu perfume quente e uma espécie de pose cuja sensação é a de que você está eternamente dançando, mesmo que parada.

Mas, mesmo com todas essas dificuldades, eu preciso beber do veneno que é estar com você, enquanto você me segura em um abraço apertado e apoio minha cabeça em seu colo, com suas mãos fazendo um cafuné reconfortante e seu cheiro incorporando-se ao meu, justamente para guardar posteriores lembranças amargas. Você me ama, eu te amo, mas trata-se de um amor desigual. Assim, sinto-me paradoxalmente aconchegado, confortável na casa do próprio Diabo, e esqueço-me da inevitável overdose de ti que virá a seguir.

E meu coração desfalece, lentamente, quebrando-se em bilhões de pedaços a cada vez que você busca em outro a mesma sensação que você causa a mim e que não sou capaz de oferecer.

É masoquismo o que pratico? Talvez. Mas é o preço que pago para ter o seu amor. E, parafraseando uma música dos Smiths:

To die by your side
Is such a heavenly way to die