Algumas reflexões sobre o ato de escrever

“Por que escrevo?”, pergunto a mim mesmo enquanto me vejo num bloqueio criativo daqueles que me impedem de escrever qualquer linha no editor de textos. Sou eu, a página em branco e uma aba no navegador com o Facebook aberto, passando lentamente pela timeline, comentando publicações, abrindo imediatamente novas notificações, conversando com uma possível candidata a crush e reagindo a memes com emojis de risada.

Escrever não é fácil, mas tampouco considero como um dom no qual poucas pessoas possuem, apesar de acreditar que há quem tenha mais habilidade com as palavras que outras. Vale uma pequena digressão aqui, é engraçado como parti de uma linha de raciocínio, a refutei para depois colocar um “apesar” na própria autorréplica. É porque eu ainda não tenho uma opinião muito formada sobre o ato de escrever e vocês já devem ter percebido isso.

Bom, passada a digressão. Não é fácil escrever, principalmente quando não se é um talento nato nisso, o que é o meu caso. Sinto-me refém da minha própria inspiração, daquele clique, daquela ideia genial de conto o qual me orgulharei bastante de ter sido o autor, após uma boa sequência de palavras que se tornarão frases, unidas em uma narrativa coesa. Não é fácil estar inspirado a todo momento, principalmente quando o cansaço da rotina de trabalho pesa em nossos ombros e nosso cérebro fatigado naturalmente deseja ingerir conteúdos fáceis de ser digeridos.

Outra coisa que não é fácil é buscar temas para escrever. Às vezes pareço meio clichê ao escrever sobre casos de amor não correspondidos. Tento escrever sobre política, mas pareço uma extensão de Tico Santa Cruz. Evito escrever sobre tecnologia, apesar da minha graduação em Sistemas de Informação. Evito mais ainda escrever sobre tópicos onde meu local de fala é restrito/tenho pouco conhecimento de causa .

Mas, mesmo assim, cá estou eu digitando palavras ao vento e postando no Medium.

E por que faço isso?

Bom, em primeiro lugar: eu gosto. Desde o último ano do Ensino Médio, quando, na necessidade de treinar para as redações de vestibular, descobri que gostava de fazer aquelas prosas argumentativas com uma proposta cidadã. Encadear ideias, um ponto de vista, em uma linha de raciocínio entendível para aquele que lerá a redação tornou-se uma atividade legal, no meio de toda aquela chatice dos estudos para o vestibular. E isso, unido com o meu crescente apreço pela literatura, apenas fez crescer o meu gosto pela escrita.

Admito que as atribulações da vida (leia-se faculdade e trabalho) me impediram de escrever com consistência durante um bom tempo, até que conheci o Medium, com a sua plataforma que facilita a criação de conteúdo escrito e divulgação do mesmo. Facilita não no sentido de tornar o ato de escrever algo fácil, mas auxilia bastante pessoas naturalmente preguiçosas, como eu.

E, considerando que o Medium também auxilia bastante na propagação dos textos pela internet e que, no fundo, todo escritor — seja ele amador ou profissional — tem uma pequena ponta de ego, é claro que cada recomendação aqui é bastante importante para eu prosseguir com a cadência quase-que-semanal que eu me impus nesta… rede social? Sendo assim, eu confesso que escrevo pois há quem leia meus textos e goste deles.

Ou seja: escrevo porque gosto e porque alguém lê, esse é o resumo da obra. E, mesmo quando estou num momento de total bloqueio criativo, é uma atividade prazerosa. Muitas vezes não sai nada com uma qualidade aceitável, mas vou tentando cada vez mais, buscando escrever num ritmo cada vez maior. Talvez o “meu-provável-futuro-eu-como-estudante-de-jornalismo” agradeça, lá na frente. E espero que ele ainda sinta esse prazer pela escrita.