Expectativas desleais

Muito provavelmente você deve ter lido um artigo que falava sobre a ansiedade, que ela é uma das grandes doenças do século XXI e que, por consequência, afeta diretamente a sociedade contemporânea, necessitada pelo imediatismo causado pela rapidez do tráfego de informações, bem como a facilidade pelo acesso ao conhecimento, ambos adventos da tecnologia e aquele blá todo. Falo isso porque não existe um só artigo tratando do assunto. São vários.

Por conta disso e de diversos outros aspectos da sociedade atual como um todo, já foi percebido que a geração Y é tida como infeliz. Buscamos ser melhores que nossos pais, precisamos nos formar, ser bilíngues, ingressar no mercado de trabalho, ser os melhores da empresa, buscar a carreira dos nossos sonhos, conhecer o mundo afora…

Puta que pariu, quanta coisa.

E, querendo ou não, o caminho a ser trilhado para alcançarmos todos esses objetivos (dentre muitos outros) não é nada fácil. Eventualmente é necessário trabalhar em lugares horríveis que remuneram bem, realizar trabalhos entediantes, abrir mão de diversos confortos e lazeres em prol da evolução de carreira e do pé-de-meia que custeará nossos sonhos — até porque alguns de nossos sonhos são meio caros — e, consequentemente, aquele momento de felicidade que sempre almejamos e buscamos em nossas vidas. Não vou nos julgar por isso, porque às vezes realmente precisamos passar por esse tipo de coisa mesmo. No entanto, percebemos que realmente somos meio infelizes nessa vida bandida, tornando necessária a fuga da vida real através de subterfúgios lícitos e ilícitos.

Quantas expectativas desleais, não? Sempre pensando nos sonhos futuros, totalmente desprendido do presente e com os demônios do passado comendo seu calcanhar. Às nove e meia penso no meio dia. Ao meio dia penso nas quatro e vinte e dois. Às quatro e vinte e dois penso nas dezoito horas em ponto. Às dezoito horas em ponto penso na sexta. Na sexta afogo meus pensamentos num bálsamo alcoólico, para evitar pensar nas nove e meia da manhã de segunda-feira.

Em tempos passados eu pensei em uma solução para lidar com essa ansiedade minha, que por sinal se transformou num texto que até hoje me orgulho dele. A questão da autoconfiança que citei anteriormente é super válida, o acreditar em si pode ser uma ótima maneira de lidar com algumas ansiedades, mas isso não basta. É preciso também admitir que a própria sociedade impõe essa cultura da ansiedade, por conta de inúmeras exigências dela, como se os únicos modelos de sucesso fossem o do famoso “cara-graduado-que-achou-a-carreira-ideal” ou o do “cara-que-pensa-fora-da-caixa-e-abre-seu-próprio-empreendimento-e-fatura-milhões”.

Criador do “Geração de Valor”

Porra, que desnecessário… Não, vamos parar com isso, antes que o mundo acabe com nossos fígados e neurônios. E isso vale pra você também, Johnny. Se acalma, bicho.

E eu realmente me acalmei um pouco. Escrever isso foi terapêutico, de uma certa forma.