Indefinição temporal e outras piranhas
(Texto publicado antes no meu blog, escrito em 19 de fevereiro de 2014. O tempo passou, não?)
Tempo é uma das temáticas na qual eu sempre gostei de pensar sobre. É um assunto sempre interminável, e uma força onipresente e onipotente. Com um único pensamento na qual associo tal palavra — e.g. “Como o tempo passa rápido…” (ok, não foi o melhor exemplo) -, é possível enveredar por diversos caminhos da linha de raciocínio, explorar muitas ramificações cuja origem é o tempo, imparável, indiferente a qualquer existência.
Decido-me, portanto, a percorrer um desses caminhos: a indefinição temporal. Mais um daqueles termos criados por mim cuja utilização só será feita por mim mesmo. Indefinição temporal, na minha cabeça, é basicamente o tempo que não pode ser medido. Quanto tempo dura um “até logo”? Quantas décadas podem durar um “até mais”? (ou quantos segundos podem durar um “até (nunca) mais”?). Pela sua própria definição, ela é indefinida. E paro para pensar.
E chego a uma conclusão:
isso simplesmente me apavora.
Tenho que admitir. Possuo diversas inseguranças. Talvez pela fase da minha idade, um pouco mais pela falta de maturidade. E uma das inseguranças minhas giram em torno dessa indefinição temporal. A mente ansiosa entra em espiral diante da nebulosa que impossibilita a visualização da deadline, e o já movediço chão se abre diante de onde piso, o pensamento pessimista toma forma, cor, cresce exponencialmente até chegar a um auge na qual nada mais está dentro da minha cabeça. Apenas as implicações (trágicas) sobre o futuro incerto, após as consequências pagas no presente pelos erros passados. Paranoia.
“meu deus por quanto tempo vou ter que esperar e ficar nessa situação hoje amanhã depois de amanhã daqui um mês fodeu, fodeu, fodeu, mayday.”
Uma shitstorm em um cérebro vazio.
É. Ansiedade é uma vadia. Uma piranha. Uma puta. Melhor, uma filha da puta, pois a puta verdadeira é a expectativa.
Até que, cedo ou tarde, aparece o estado de conformação: Aquele resultado na qual há tanto tempo espero,
(quando vai sair a maldita nota da disciplina X? E os testes do exame de sangue? Será que eu passei na certificação? Estou grávido?)
um dia terei a resposta. No caso dos erros que cometemos e não sabemos como, quando e até quando pagar pelas consequências, não tem jeito. Resta assumi-las, não adianta andar em círculos e lamentar. Errar é humano, e digno é admitir o erro. Contudo, aquela indefinição temporal continua. “Afinal, até quando continuarei neste estado em que me encontro?”, pergunto eu. “Pagarei pelas consequências, sim, pagarei. Mas o território à frente é desconhecido. O que o futuro me guarda, diante dos fatos? E quando o futuro chegará? “Um tempo” pode ser eterno.”
A conclusão na qual sempre chego após os momentos de ansiedade:
“Apenas dê tempo ao tempo, cara. Só isso que você pode fazer. E confie — em si e nos outros.”
Nada mais óbvio.