Ba ba ba ba ba ba ba ba baby…

John Pereira
Jul 25, 2017 · 3 min read

Eu tenho um fascínio pessoal com o Milli Vanilli e isso vem desde os meus primórdios, também chamados de o início dos anos 90.

O duo formado por Fab e Rob já foi citado por aqui anteriormente e também apareceu em pauta extensa lá no Audiograma. Aliás, se você não conhece toda a história envolvendo essa duplinha do barulho que aprontou altas confusões com o seu produtor quando ficaram famosos, recomendo a leitura do texto presente neste link — também de minha autoria — antes de continuar, ok?

Enquanto você lê, eu espero…

Pois muito que bem, agora vamos ao ponto em que quero chegar: se você já ouviu pelo menos um disco do Milli Vanilli — e eu vou facilitar deixando uma coletânea bem aqui — talvez você tenha notado que:

  • o grupo não é tão ruim assim, vai...
  • a produção em torno das músicas é até boa.
  • estamos falando de um projeto cujo primeiro álbum saiu em 1988.

Antes que alguém pense: não, eu não estou defendendo o Milli Vanilli. Era fake pra caralho e foi uma puta falta de sacanagem você esconder quem canta para colocar dois caras visualmente atraentes e fazer deles “a cara” do projeto. Isso é imperdoável, triste e desrespeitoso com fãs e com o artista propriamente dito.

Porém, entretanto, todavia, eu aposto que você ou seus pais ouviram muito “Girl You Know It’s True” e pensaram o mesmo que vocês pensam de… deixe-me ver… uma música do Shawn Mendes ou da Katy Perry. “Nossa, que música boa. Aumenta o volume”, diziam. “CARALHO. LACROU. BERRO! QUE HINO”, dizem atualmente. No fim, é tudo a mesma coisa. As frases, claro.

Você vai mesmo dizer que isso é ruim e “Stitches” é melhor? Sério?

O Milli Vanilli ficou maior do que o esperado por Frank Farian quando a ideia surgiu. E quando as coisas fogem do controle, problemas podem surgir, como a fita do playback engasgar e te deixar na mão no palco em um show lotado, sabe?

Hoje em dia, nós temos DJ animador de torcida que usa pen drive, cantor que só lança música mas não bota o pé no palco (estranho, você não acha?)e outras modalidades que despertam em mim o radar Milli Vanilli constantemente. A diferença é que hoje as falhas são menos perceptíveis e, ainda que aconteçam, sempre vai ter alguém para passar a cabeça e dar uma nova chance. E se não passar, é só mudar de nome, dizer que era um personagem e que agora tá começando uma nova fase, não é mesmo? Exemplos não faltam e o próprio Milli Vanilli faz parte da lista ao virar The Real Milli Vanilli (ou Try ’N’ B no mercado americano).

Por essas e outras que eu criei um método pessoal para curtir a música Pop e que vale também para outros gêneros. A receita é simples:

  • Pegue um artista considerado um fracasso, plágio ou enganoso, mas que você vê algo positivo.
  • Estabeleça nele um parâmetro para o que você for avaliar.
  • As músicas do fulano são melhores do que “blablabla” do artista X?

Sim? Olha, legal. Coloca na listinha, indica pros amigos, cria uma playlist no Spotify e seja feliz, mesmo que o mundo a sua volta diga o contrário.

Não? hmmmmmmmmm…

Sabe o que é mais louco? Eu tenho esse parâmetro pro Pop com o Milli Vanilli e o meu selo “Baby Don’t Forget My Number” de qualidade, tenho pro hip hop com a clássica “Ice Ice Baby” do Vanilla Ice e, claro, tenho pro Rock, com o selo “With Arms Wide Open”, da melhor banda mais odiada do mundo, o Creed.

E funciona!

Estamos no fim de julho e poucos BERROS e LACRES e HINOS do ano ganharam um dos meus selos de qualidade. Tá pensando que isso aqui é Teen Choice Awards?

John Pereira

Written by

Editor do @audiograma | Publicitário, pseudo fotógrafo, gosta de escrever por aí e um colecionador de CDs, DVDs e garrafas de cerveja.

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