Não sei porque fiz um Medium…

Tô aqui ouvindo o acústico do Raimundos que acabou de sair, lendo alguns textos publicados por conhecidos (ou não) no Medium e me perguntando se eu me encaixo no grupo dos produtores de conteúdo nesse espaço…

Eu não falo bonito. Não uso palavras legais. Nunca escrevi retumbante em um texto. Cometo erros de português. Não filosofo. Não escrevo com a intenção de influenciar alguém. O Dinho Ouro Preto participa de “Mulher de Fases” nesse DVD do Raimundos. Eu sempre me perco nos meus pensamentos enquanto escrevo. E sempre tô ouvindo música, o que me faz viajar um pouco mais.

Já faz muito tempo que eu tive um dos professores mais legais da minha vida. Ele aplicava as piores provas, mas dava aulas muito legais. Eram aulas de português. Uma vez ele falou que se nós alunos tivéssemos a intenção de escrever na vida, deveríamos ler. Ler muito. A vida me fez redator. Eu trabalho com conteúdo escrito profissionalmente desde 2011. A leitura nunca foi o meu forte. E eu nem digo isso como forma de me gabar. É só mais um jeito de dizer que, talvez, eu esteja no lugar errado e fazendo algo errado.

Com o passar do tempo, me voltei mais para o conteúdo musical. Falando de shows. Resenhando discos e músicas. Por lá eu nunca usei palavras como letargia ou sequer falei da predisposição de um artista a gravar uma sonoridade efêmera em um novo registro. Entende aonde eu quero chegar?

Parece piegas¹ falar, mas acho que a minha escrita sempre foi simplória, na definição mais positiva da palavra. Não tenho o costume de usar palavras complicadas ou textos enigmáticos para me expressar. Se a vida tá boa, vai ter texto claramente positivo. Se o momento é para pensar, isso vai estar ali do início ao fim. Se eu gosto ou não. Se eu quero ou não. Se eu sinto falta ou não.

É. É disso que eu sinto falta navegando por esse mundo de palavras e pensamentos do Medium. Sinto uma indubitável falta de uma linguagem retilínea advinda de uma sociedade igualitária em sua linha de pensamento, seja você o rapaz formado em publicidade que pouco lê ou o filósofo com pós, mestrado, doutorado e outros títulos interessantes para o curriculum do linkedin. É muita gente querendo tatuar a vida e pouca gente ouvindo a Ivete Sangalo cantar “Baculejo” com o Raimundos. É muita gente querendo ser robusto com as palavras e poucos sendo diretos como o Felipe Arco². Saca?

“Mas cada um escreve como quiser, caralho. Essa é a mágica da história!”

Você tem razão, oh nobre leitor. Talvez eu só seja um chato que não sabe usar palavras legais, bonitas e cheias de força para traduzir os seus pensamentos e esteja destinado a ser o Felipe Arco do Medium. Ok, muita pretensão minha querer ser esse cara, já que eu escrevo para poucos e faço isso por aqui muito mais para aliviar a cabeça e o coração do que com algum propósito.

Na verdade, o Medium é um teste e uma forma de desafogo. Falo pouco da vida, diariamente de música e tenho me tornado uma pessoa monotema. Continuar assim vai atrapalhar um dos meus projetos pessoas que é escrever um livro com história da vida. Durante a semana, comentei com uma amiga sobre isso e ela disse que compraria o tal livro. Não sei se ela disse isso por piedade ou por realmente gostar de como escrevo. Não sei também se tenho histórias interessantes para contar, mas a imaginação está aí para isso.

Quem sabe até lá eu aprenda a usar palavras esplêndidas e consiga concluir um texto de forma decente, não é mesmo?


¹ já tinha usado essa palavra antes em texto. acho…
² eu não curto o Felipe Arco. não…

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