Os reis do iê iê iê uruguaio

El cuarteto que eres un quinteto

Lá na década de 80, na bela (pelo menos pelas fotos que eu vejo por aí) Montevideo, os brothers Roberto e Ricardo Musso se juntaram aos amigos Santiago, Alvaro e Andrés para formar uma banda de rock. Em 84 ela ganharia o nome de El Cuarteto de Nos e teria o seu primeiro disco (dividido com o músico Alvaro Wolf) lançado, mas a ideia de fazer música já vinha de muito antes, tocando músicas instrumentais e covers dos Beatles em festas universitárias.

Pero, faltava la pimenta. E ela seria a acidez das letras. Sensacionais em muitos momentos, incômodas em outras. Mas vamos avançar esse rolê até… creio eu… 2006. A banda lançou naquele ano o disco Raro (que seria o último com Ricardo em sua formação) e nele tinha uma música… essa aqui:

Que música sensacional. Lembro que conheci pela bff (sempre quis usar isso num post) Dri e tinha adorado o combo clipe/letra/sonoridade. Vale ressaltar que, até aquele momento, eu nunca… sim, nunca… nunca tinha dado moral para quem cantava em espanhol. Nem conseguia cantar “Estoy Aqui” sem achar a linha espanhola chata. Só gostava da Shakira… porque não dá para não se gostar da Shakira, convenhamos.

Resolvi dar uma chance a tal banda argentina que depois descobri ser uruguaia ouvindo o Raro e o disco anterior, El Cuarteto de Nos (2014), que era composto por regravações repaginadas de músicas de discos antigos e três músicas inéditas. Daí a casa caiu. Estava eu cantarolando “Bo, cartero”, “Nuevamente”, “El putón del barrio”, me identificando com “Corazón maricón”, rindo de “Soy un capón” e lembrando da Dri “Siempre que escucho el cuarteto” (e posteriormente da Aline que me apresentou o The Zutons da qual falarei em outra oportunidade).

Hoje, enquanto escuto novamente o disco de 2004 (que não tá nos streamings convencionais, mas está nesta playlist marotinha no YouTube), percebi o quanto eu adoro as letras do Santiago Tavella. Tem horas que ele atravessa a linha tênue entre o humor e a ofensa, principalmente em letras mais antigas. Hoje em dia é algo mais leve, como narrar uma perfeita trilha sonora pro Barney de HIMYM em espanhol.

As letras da banda são divididas. Uma divisão justa. 10% são do Santiago e 90% do Roberto Musso com cada um cantando aquelas que saíram de suas mentes. E se engana quem pensa que o Musso também não sabe ser ácido e genial quando precisa. “Todos pasan por mi rancho” ou “Me amo” são maravilhosas… e é do Musso a música que faz referência ao nosso amado e carnavalesco país, “Uruguai 1 Brasil 1”.

El brasilero lloroooooo El brasilero lloroooooo

Não preciso falar mais o quanto a banda é boa, né? Vai ouvir logo essa caralha!

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