Eu aos 21 ou ‘‘Um pouco de autodepreciação pra encarar a realidade’’

Olha, eu pensei que estaria melhor.

Eu tenho um rendimento de indenização (de um maluco que me agrediu, furtou e destruiu os meus computadores antigos) que está acabando, e não arranjo um emprego.

Tenho uma faculdade trancada, mas não tenho grana pra voltar e terminar. Apareceu outro estágio legal que eu poderia pegar hoje, mas como eu disse, sem ter como me manter. De volta à casa materna, voltei a ser meio que um parasita (meio depreciante, um pouco pesado até. Não deixa de ser um fato, para meu desassossego).

Não tenho uma namorada. Tem uma certa morena que eu adoraria ficar de novo, mas uma série de pequenos inconvenientes está afastando ela de mim. E isso complica as coisas, porque ela é de difícil acesso. Afastar mais é kaput.

Tenho passado muito tempo em casa, sozinho. Não adianta sair muito quando a moto tem 15 anos e coisas como luz de freio e bateria defeituosas.

Meus colegas do Ensino Médio estão se formando, iniciando carreiras de sucesso, e eu aqui não sei nem o que vou fazer no próximo mês. Adquiri dezenas de conhecimentos. Sei fazer um pouco de tudo. Mas parece que não sei fazer o suficiente em nada. Bom, eu sei escrever. Estou escrevendo aqui… Mas quem é que paga escritores numa cidade de 30 mil pessoas?

Sem emprego, pouco dinheiro, conhecimentos práticos mas sem utilidade no ambiente que vivo, bem… Preciso sair desse loop de insatisfação e ir pro mundo. Uma vaga de Office-Boy cairia bem, pra começar. Se me serve de consolo (e não deveria servir. Pensar assim é desumano pra caralho), o cara que me agrediu tem 32 anos e ainda depende dos pais. Eu ainda tenho tempo para virar o jogo.

Pro inferno as carreiras de sucesso, os grandes salários, os bons veículos. Por ora, pro inferno. Preciso recomeçar. Pegar nos meus conhecimentos e aplicar. Eu quero ser e fazer melhor. E pra isso, só trabalhando.

Vou começar pensando em algo.

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