Ser ou não um fofo.

Parei pra ler o texto do Gregório Duvivier sobre a Clarice Falcão.

Achei fofo, achei bonito. Tem cara de algo que eu escreveria às duas da manhã de um domingo pra segunda. Me identifiquei mesmo. Depois, por sugestão do Facebook, li uma réplica, a meu ver bem exagerada, do blog feminista DEIXA DE BANCA. Fiquei matutando no assunto, e decidi escrever sobre, até pra ver se situo direitinho as ideias na cabeça.

Gregório mostra-se sincero no texto, na minha visão boba e que mantém resquícios do romantismo de um estudante colegial. Eu gostei, e no lugar dele, provavelmente faria o mesmo. Mas parte de mim concorda com a autora do segundo texto. Muito do que ela fala está correto. Vai lá saber se a mulher em que você está de olho não detesta essas melosidades… Se ela estiver pensando em representatividade e queira que você pense mais no que ela considera como certo do que nos seus próprios sentimentos sobre ela, vai ser uma tremenda bola fora.

Não adianta ser um Gregório Duvivier se a sua Clarice é uma feminista inveterada que não liga o mínimo para romance e só quer saber de empoderamento.

Acho que o ponto inicial de “ser fofo ou não” é esse. Só fiz uma aula de Marketing na faculdade, mas aprendi que uma mensagem precisa atingir um público-alvo. Sim, há mulheres que consideram que o pedido de casamento à chinesa nas Olimpíadas foi um ato de pressão heteronormativa, enquanto que o pedido de casamento no rugby feminino foi lindo, uma lição de empoderamento e vitória sobre essa mesma heteronormatividade. Mas também há mulheres que consideraram o que o Gregório disse foi lindo e que a Clarice devia voltar pra ele, sem ligar para o que talvez considerem desvarios de uma fracassada sem amor.

Jovem, cabe a você decifrar a mulher que tem nas mãos, ou na mente. Só então, decidir se vai postar pra ela um texto público na Folha, sujeito às críticas de toda a internet, ou um artigo mais intimista e voltado para as aspirações e desejos de seu coração empoderado.