Sobre Amor[es] Platônico[s]

“Não há pior imaginário do que o criado pelo coração (escondido da mente).”

Um dia cheguei do Shopping e um amigo disse-me algo que nunca mais esqueci: “E aí, quantas vezes se apaixonou?”. Eu não entendi na “primeira ouvida”, mas depois fez sentido.

De fato, a cada loja que eu visitava, meus olhos encontravam diferentes pares de íris. Alguns não eram respondidos, mas havia mini-paixões a cada nova encarada, seja em algum banco ou escada rolante. A praça de alimentação era uma overdose, eu confesso.

O que me intriga não é a forma como um amor platônico nasce, mas como ele seria desfeito caso a pessoa “amada” correspondesse. O lado positivo de amar alguém que não imagina tamanha paixão adormecida, é o fato da ilusão que se cria.

Existe toda uma casca que forjamos dentro de um pensamento surreal. E por mais que tentem tirar o que há de belo em um amor platônico (principalmente quando comparam com outras denominações), como o carinho que se cria pelo alvo, a verdade é que realmente não há uma beleza real, eu confesso.

O platônico te prende em uma muralha tão baixa e inofensiva, que aos seus olhos inocentes, a queda poderia te matar, e de fato te mataria. Mataria o sentimento vivo que insiste em amar, por alguém que muitas vezes, nem seria a pessoa que te faria feliz.

Em tempos modernos e tecnológicos, o amor platônico ganha ares diferentes e inoportunos. Ainda que a principal característica seja o sonho, é na realidade que caímos a cada idealização desfeita ou descarrilhada em uma montanha de pensamentos.

Enquanto nossos ideias continuarem vivos, amaremos quantas pessoas acharmos necessário, desde que ela não saiba, e desde que nosso sofrimento seja ameno, ainda que verdadeiro.

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