Buzina não, seu moço!

Agora são exatamente 19h22 e isso significa que já são exatos 82 minutos de barulho intenso de buzinas alucinadas intensificadas com o barulho dos carros passando na chuva.

Tenho me perguntado há algum tempo sobre essa necessidade das pessoas de jogar suas frustrações no mundo de forma agressiva, forte, incoerente e no trânsito, especificamente, isso fica ainda mais evidente.

Todos sabem que o carro da frente não vai andar mais rápido, que a buzina não dá o poder de voar e sair daquela situação caótica na qual se encontra. Mas o grito contido do dia todo, a insatisfação no trabalho, o cansaço de efetuar as tarefas diárias e tantas outras coisas que perturbam a mente parecem que encontram uma solução temporária por estar protegido dentro do veículo — grande engano, os noticiários estão cheios de matérias onde o destino final da primeira buzina é a morte.

Nessa luta contra seus próprios sentimentos tem muitas pessoas envolvidas e me incluo na lista dos incomodados porque a falta de empatia de quem está ali lutando pra fazer de conta que seus anseios estão sendo decididos com uma intermitente buzina, incomoda a todos aqueles que estão em casa tentando assistir à tv, tentando ler, estudar ou conversar.

Sempre que passo no mínimo três horas do dia escutando o barulho ensurdecedor de buzinas tenho vontade de descer do prédio e distribuir cartões da minha psicóloga. E esse passa a ser só mais um exemplo do quanto as pessoas fecham os olhos para a necessidade de tratar as causas de suas atitudes e não apenas os sintomas.

Então, seu moço, faz um favor? Mais autoconhecimento e menos buzina!

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