Como Starwars pode significar uma definitiva evolução na sociedade e você pode fazer parte disso

A algumas consideráveis semanas da estreia da starwars: rogue one, eu gostaria de dizer sobre o profundo fardo que todo esse universo carrega para o futuro, e que estou ansiosa pela estreia do filme e por isso. Não digo por causa do filme ser o primeiro spin-off de starwars e que por acaso vai contar parte crucial da história que poucos sabem, sobre como os planos da estrela da morte foram roubados. Exatamente entre os episódios 3 e 4, o filme vai ligar a geralmente odiada prequela e o início da clássica trilogia, que desde que foi lançado lá pelos 70 mudou a cultura pop do mundo ocidental moldando o caráter de uma geração inteira (diria que de forma análoga como Harry Potter fez com a minha geração).

Neste “episódio entre episódios” teremos mais coisas em jogo e eu acredito que isso pode moldar tudo o que está sendo preparado para o futuro da franquia e muito mais no nosso cotidiano. Me lembro de sempre ter gostado de starwars, mas nunca ido além. Fico pensando no porquê disso e o que me vem a mente é que não me identificava tanto com nada daquele mundo, quer dizer, era só algo para caras nerds que se achavam melhores, porque largavam o chavão pseudo-cult de que “a trilogia antiga é melhor” e falavam os nomes de alguns personagens do universo expandido que ninguém conhece, nada contra quem prefere os clássicos (ou o universo expandido), só acho que tenho certa sensibilidade pra sacar se pessoa diz o que diz de coração, coisas que a vida ensina (e é nessas horas que eu procuro não me envolver muito).

O que estou me referindo é sobre como Star Wars está se moldando aos poucos a uma nova sociedade que emerge com dificuldade, mas que está se descobrindo mais inclusiva e sim, isso graças aos esforços e força de vontade de cada pessoa que deseja viver em um mundo com diversidade, com aceitação e respeito ou nada do que nos foi dito sobre o que é a “a força” pode ser verdade, porque é isso que ela ensina.

E não é com esses ensinamentos que crescemos e acreditamos? como pode as pessoas (neste caso, homens, em sua grande maioria) tenham entendido que Star Wars é só sobre qual Jedi ou Sith é o mais forte ou sobre qual é a cena de ação mais intensa de todas? será que durante todo esse tempo as pessoas não entenderam os símbolos que existem em Starwars? um império opressor. Um culto sombrio que idolatra absolutos sem dar oportunidade ao amor ou a razão. Será que nada disso faz sentido para as pessoas durante esse tempo todo? qual a razão então de gostarem de Starwars? sinceramente, eu não sei e não os julgo tanto. Ao menos sempre procurei gostar das coisas de forma menos superficial possível. Gosto de filosofar sobre símbolos, mitos, significados e algumas teorias. Acho que isso faz parte da brincadeira toda e nos faz pessoas melhores por tabela.

Só que toda mudança tem seu conflito. Desde que a Disney comprou os direitos de toda saga Starwars muitas criticas vieram. Quando uma nova trilogia foi anunciada e foi mostrado sua protagonista feminina, assim como um personagem negro junto dela, houve um “distúrbio na força” por parte de algumas muitas pessoas com sérios problemas de ego. Além, claro, de campanhas de boicote por acharem “que estão desvirtuando a obra original”. A mídia, obviamente, se esbaldou na “polêmica”.

Tradução: “ a real história por trás do #boicotestarwarsVII é sobre normalização de racismo” Fonte: internet

Mas o que, na verdade, toda essa nova injeção de vida deu para Starwars foi ampliar o tipo de público, como mulheres e pessoas LGBT , pessoas negras também, que agora se veem representadas em uma das maiores franquias do mundo. Eu passei a ter maior interesse em Starwars após o episódio 7, muitas pessoas novas também. E assim como a tenente Uhura (startrek) inspirou uma geração de pessoas negras no século passado, Finn fez a mesma coisa em nosso tempo e talvez até com maior alcance, ao menos expôs o quanto a nossa sociedade ainda é muito racista (basta lembrar do caso em que ninguém estava comprando os bonecos do personagem após o lançamento do filme) e sexista (alguém se lembra de bonecos/imagens da Rey por aí? ou aquela pessoa que questionava a armadura da Capitã Phasma e foi, felizmente, posta em seu lugar pelo própria página do filme?).

“ Sem querer parecer sexista nem nada mas é difícil dizer que é uma armadura feminina pra mim” “É uma armadura. Em uma mulher. Não tem que parecer feminina” Fonte: Internet

Colocando os filmes um pouco de lado, nos próprios produtos mais famosos de Starwars, nós temos personagens diversos que merecem mais espaço ou significam algo para alguém como em Knights of the Old Republic, o clássico Kotor, onde há personagens lésbicas no jogo e mesmo os NPC’s, existe muitos personagens negros, isso chamou minha atenção enquanto jogava porque deixava tudo tão coesa, diverso e coerente. Como em uma galáxia com as variadas espécies pode não haver casais lgbt ou até mesmo de espécies diferentes? questiono isso porque infelizmente há agora também em Starwars queerbating* (que será abordado por mim em outro texto futuramente)por causa de singelas sugestões de que Poe e Finn poderiam ser um casal, bem como algumas declarações do elenco e da produção do filme que pareciam justificar isso. O mesmo público que criticou o episódio 7, assim como a protagonista feminina em Rogue One (porque afinal de contas “só existe personagem principal feminina em starwars agora”… de repente os outros seis filmes não contam rs) foi taxativo no mesmo tipo de critica retrograda.

Fonte: internet

Afinal de contas, “um casal homoafetivo não vai afetar em nada a história, starwars é sobre guerras”, claro, mas e Anakin e Padmé? casais hétero cisgêneros tem o privilégio de fazer de grandes histórias de amor em meio a guerras? Ainda em alguns produtos fora da linha dos filmes, apesar de queerbaitings e outros apagamentos, temos atualmente um MMORPG de starwars em que relacionamentos homoafetivos são possíveis e isso deixa a história tão rica quanto nos filmes, ao menos nos seis primeiros episódios, pois no último episódio teve uma pequena esperança de que um personagem LGBT pode aparecer nos filmes futuramente. Só nos resta esperar e torcer para não haver queerbaiting novamente ou que pelo menos Star Wars: The Old Republic seja canônico futuramente, o que eu acho que pode acontecer.

O meu ponto é, desde o início da saga até o seu presente momento, starwars sempre deu a entender que é um mundo aberto a todos por ser um mundo, ou melhor, uma galáxia diversa, com várias espécies e culturas.

Fonte: internet

Todas dotadas de muito significado, e eu diria que starwars é a ficção científica mais popular do mundo, pois você não precisa se aprofundar para entender algumas coisas, e se você quiser se aprofundar, é uma escolha sua. Não é como outras obras onde você deve ter algum conhecimento prévio sobre algumas coisas para usufruir da história. É quase um entretenimento de massas perfeito: goste se quiser e na quantia que quiser. Você é livre.

Não há razão, portanto, de que tenha tanta gente tóxica levando não só starwars, mas outras coisas do gênero que fazem parte da cultura pop, de forma tão rasa, ignorando as maravilhas que existem e que poderiam dar belos frutos para as pessoas. E uma sociedade onde pessoas se sentem representadas pela sua cultura de massa, é uma sociedade onde a identidade das pessoas é garantida. Ninguém deve desejar um “império sith” no mundo real, a história já nos mostrou que isso não nos leva a nenhum lugar. Todos esses impérios totalitaristas, e toda cultura que não representa pessoas reais devem ser coisas do passado e estão sendo e isso, claro, graças a nós: fazendo parte de algo que sempre será nosso.

Que venha Rogue One!!


Fonte: internet