Os tons corais da minha Tia Lucia, uma teoria antropológica mambembe em forma de poesia duas vezes mais mambembe. Por Jonas Barreto;
Estou apaixonado pelas camisas coloridas da minha tia, cada uma mais linda que a outra.
Teorizo que a cor tem papel fundamental na evolução humana, imagina a felicidade que um homem das cavernas sentia quando via uma primavera colorida, o cérebro teve que criar uma resposta de prazer para toda aquela fartura de cores.
A roupa demonstra estado de espirito, acho que da pra concordar que quem se veste em tons de preto é ligeiramente mais amargurado. Eu por exemplo, venho usando tons de cinza para dizer pro mundo que estou passando por um momento difícil, como um viúvo das coisas que perdi. Não da pra viuvar pra sempre, temos que nos permitir.
A pessoa colorida, mostrar ao mundo que esta mais feliz, aberta. Eu venho acompanhando essa sua mudança de vestuário desde que voltei, esta usando roupas mais coloridas, interessada pelas janelas coloridas da América do Sul, quer um carro azul e pintar a casa de rosa.
Tia, isso é maravilhoso, pinta tudo, não deixa ninguém te dizer que cor que vai ser, paga mais caro pelo carro de gente feliz mesmo, foda-se à tristeza, você vai deixar o mundo um pouquinho mais colorido. O filho e o sobrinho pintam a casa deles de monocromático quando na casa deles e se quiserem, por hora a casa é sua e a artista é você.
Esse seu modo colorido de ver as coisas é parte de você que estava adormecida, digo isso baseado na hipótese comprovada em experimento científico analisando os seus olhos admirando um ipê rosa, como uma criança, livre das amarguras da vida olhando um quadro do Romero Brito.
Cafona é não mostrar pro mundo que a vida é bonita, é bonita e é bonita.
Você esta me inspirando a olhar as cores com mais atenção. Por isso me comprometo a trocar meu uniforme diário por algo muito mais colorido.
Mergulha de cabeça nesse mundo colorido de “Amor Além da Vida”. Existem ainda seis mares por se descobrir.