A defesa de outubro (mas nem tanto?)

Jonas Freitas
Jul 24, 2017 · 3 min read

Um desses dias estava em um debate sobre a revolução russa de 1917 e a pessoa incumbida como orador foi um historiador carioca, militante, e até onde sei, dirigente de uma das tendências do PSOL.

Eu fui ao evento após ter conversado anteriormente sobre as bases e a linha política dessa tendência, nessa ocasião já tinha expressado como temerária a posição da corrente em apresentar um debate sobre a questão das drogas de uma forma que, ao meu ver, é retrógrada e moralista até (o que não é difícil).

Qual não foi a minha surpresa quando ao apresentar a revolução russa, aquela com o Lenin, o Trotsky e até mesmo com o pulha do Stalin, o camarada não traz justamente a passagem de um dos momentos mais icônicos da revolução, quando ao ocupar um dos palácios Tzaristas são encontradas as adegas de vinho real, que foram então entornadas numa orgia ébria que realmente chegou a ameaçar a ordem.

Mas vejam bem… eu disse ADEGAS DE VINHO, e todo mundo sabe, ou pelo menos já ouviu falar que a ‘bebida nacional’ da Rússia é a Vodka, que vem a ser uma bebida alcoólica fruto da fermentação da batata. Na hora que esse assunto entrou em cena eu senti uma leve referência a conversa que tive com o camarada. Uma outra pessoa quis comentar e até se embananou com as bebidas…

Mas pensa só: se você, FU-DI-DO, num frio da porra, pondo o pescoço pra game numa revolução, num país de merda, atrasado e massacrado, no meio de uma guerra mundial, sendo tratado que nem lixo… Aí tua turma acha a desgraça da ADEGA REAL, e fala sério, tu não ia beber? nem um golinho? NADA? NADINHA????

Enfim, isso não importa, o fato é que esse assunto chegou para fazer valer o ponto de que uma revolução beira o caos em muitos momentos, e também para justificar a conclusão que prega a tônica proibicionista dessa tendência. Afinal de contas, segundo o camarada, como manter uma ordem “revolucionária” com alcoolistas e/ou viciados no front?

Para mim, é simples, sejam coerentes, vocês pregam um ideal abstêmio? Então façam desse rolê algo integral a vida de vocês. Porque mais a frente, falando de um outro momento da revolução o camarada sugeriu que o debate prosseguisse em um BAR. BEBENDO UMA CERVEJINHA…

A minha opinião é bem direta, sou contra a ideia de uma revolução careta. Assim como sou contra a ideia de que seja sequer possível uma revolução que elimine as drogas do cotidiano. Se eu quisesse algo assim ia me filiar em uma igreja evangélica, que muitas vezes tem mais ligação com a periferia e com a classe trabalhadora que alguém que vem comparar uma situação de um processo revolucionário da Rússia com a nossa realidade.

E na moral mesmo? Sou a favor da utopia e do delírio também, Marx não teve o trabalho que teve para virem cagar regra sobre como deve ser o revolucionário.

O controle dos meios de produção sob a classe trabalhadora tem como intenção libertar o ócio para todos, seja como bem entender a classe trabalhadora. O resto é biopolítica: controle do corpo e da força de trabalho da classe proletária, e não tem, a rigor, nada a ver com saúde ou interesses da saúde mental de quem quer que seja.

#PAZ #LEGALIZA #FIM

    Jonas Freitas

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