Privacidade Na Era Das Máquinas e O Nosso Retrogradismo De Sempre

Aconteceu dinovo. Outra vez um veículo de expressão publicando uma reportagem sobre o quão seus dados estão nas mãos das grandes corporações, o quanto você se expõe em troca de navegação personalizada e sugestões pontuais, o quanto as grandes corporações tem acesso a tudo da sua vida e bla bla bla.

Apenas um dia e meio após o anúncio do Allo, novo aplicativo de mensagens do Google, a revista Motherboard (Uma variação ou braço tecnológico da Vice) publicou uma reportagem alertando os usuários sobre os muitos (riscos) que eles correriam ao usar o app.

Lá vamos nós, outra vez;

Essa, no entanto, está bem longe de ser a primeira reportagem alardeante do tipo. Abaixo separei alguns outros exemplos:

Mas afinal, o que ocorre de verdade?

Como funciona a final essa filtragem e uso dos dados que você fornece aos serviços que lhe entregam experiências personalizadas?

Tudo É Bem Menos Ruim Do Que Parece

Em primeiro lugar, saiba que não, não existe um funcionário do Google ou da Microsoft ou de qualquer outra empresa do tipo responsável por ir todos os dias e checar o que você fez, onde navegou, o que buscou e como buscou.

Todos os dados fornecidos e filtrados por esses sistemas são processados por uma tecnologia que chamamos de big data, e para elas não importa se você é o João ou a Luana, se tem 21 ou 19 anos, se calça 35 ou 44. Tudo o que importa são os dados contextuais.

Tudo é filtrado por um algoritmo avançado que tenta inferir da melhor forma possível qualquer lógica a suas ações.

Experimente por exemplo perguntar 3 vezes, em intervalos de duas ou três horas ao assistente de voz de seu smartphone qual o clima atual. Na quarta ele não irá esperar que você pergunte, caso as sugestões estejam habilitadas.

Uma História Pessoal:

As vezes uso o Google Now de alguns amigos para questionar sobre os resultados dos jogos do Corinthians. Como resultado disso, até hoje alguns deles recebem cards com informações sobre as partidas mais recentes.

Sim, o Google sabe o que você disse, sabe exatamente quando disse, sabe para onde você foi e como foi. Ele só não sabe quem é você, ou que você é você.

A big data surgiu exatamente com esse propósito. Catalogar, organizar e modular os bilhões de dados existentes na internet afim de oferecer uma experiência melhor para todos.

Posso Então Espalhar Dados Por Aí?

Obviamente que não. Se há empresas sérias na área também há aquelas que prometem milagres em troca de verdadeira espionagem do usuário. E dessas se deve fugir o quanto antes.

A verdade é que a sua vontade em compartilhar seus dados ou não com uma empresa ou serviço dependerá estritamente de sua afinidade e confiança com a mesma, com seus ideais e objetivos e com sua missão.

Eu, por exemplo, me sinto bem tranquilo em compartilhar meus dados com Google Twitter e Facebook, simplesmente por que gosto de ambos os serviços e se esse é o preço que devo pagar para tê-los, não vejo problema algum.

Já no caso do Windows 10, por exemplo, considero que a Microsoft foi meio longe em sua política. E exatamente por isso ainda não faço uso frequente do SO.

Cabe ao usuário o papel de ler atentamente o que, como e por qual motivo ele está concordando em dar e ou receber dos serviços que assina, dos sites que acessa e dos apps que usa.

MAS E OS HACKERS?

Um dos argumentos mais usados por quem critica a mineração de dados a nível de usuário é a possibilidade de um hacker invadir sua conta e obter acesso a todos estes dados. Mas, será que isso é realmente um risco?

Vamos criar um personagem fictício e chamá-lo de Lulinha:

Lulinha usava uma conta Google e teve a mesma hackeada. O hacker tem então acesso a todo histórico de navegação, pesquisa, buscas por voz no Google Now, compras nas lojas do Google e outros dados. Quem irá parar este hacker?

Agora, vamos supor que Lulinha não compartilhasse com o Google seu local e seus dados de localização, que ele não usasse o Google Now e que fizesse todas suas compras por abas seguras e ou fora das lojas do Google.

Nesse caso, o hacker vai para o e-mail de Lulinha e encontra os vários e-mails de confirmação de horário e data de voos, os e-mails de compras, as mensagens solicitando um encontro em determinado local.

Percebem como tudo é questão de perspectiva?

Não é mais fácil que Lulinha preocupe-se em melhorar a segurança de sua conta, com autenticação em dois passos, vinculação de seu número de celular, uso de uma senha forte e outras formas do que privar-se de usar serviços que o ajudarão e lhe pouparão tempo?

Boa sorte, Lulinha!!

Tome Cuidado, Mas Nem Tanto Cuidado Assim

De certo que devemos tomar cuidado com o que compartilhamos rede a fora e estarmos sempre atentos as políticas de privacidade de cada empresa.

Mas é certo que os seus dados serão e são de alguém, e não importa o que você faça por isso. Sua companhia de internet tem acesso a literalmente tudo o que você faz, sua operadora de voz tem acesso a todas as suas ligações e nas ruas hoje em dia existem câmeras te filmando o tempo todo.

É preciso parar de pensar no conceito da privacidade como o isolamento total e começar a pensar em privacidade como o isolamento necessário, a preservação do individualismo dentro daquilo que é cabível.

E se você discorda de mim, saiba que o medium já capturou seus cookies e já sabe quanto tempo você demorou para ler até aqui. PAZ

Brincadeiras a parte, é bom que você saiba que tudo é uma via de duas mãos e que, para que o Google Now te informe que o Corinthians foi eliminado da Libertadores após você dormir só 4 horas por trabalhar até duas da manhã é preciso que você forneça sim seus dados a ele.

Maldito dia, :(

Ah sim! Vejo vocês no allo :)

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