Juventus, estamos vencendo?
Tudo começou hoje quando fui comprar um tênis. Mas pra contar tudo preciso voltar uns 8 anos atrás. 2010? Pois bem. Sempre gostei de futebol. No duro. Me divertia literalmente assistindo jogo na tv (tardes "perdidas"com Silvio Luiz e Luciano do Valle). Fui são paulino nos anos 90 como muitas crianças que "tiveram que ser" (vide Mundiais de Clubes e o saudoso Telê Santana). Mas pra falar a verdade sempre fui de ver qualquer jogo. Me entretia pra valer. Claro que sempre pegava algum time pra torcer. E não por acaso mandava foco, força e fé pro azarão do jogo . (Segura essa info) Mas o São Paulo para além de tudo tem uma camisa bonita. Tem um estádio péssimo pra ver jogo, mas essa camisa número 2 listrada com as três cores sempre foi das mais bonitas. E na época sempre teve time. Mesmo quando não ganhava, dava satisfação torcer.
Toda essa história de ser são paulino foi bem antes de 8 anos atrás. Mas então o que tem a ver? Tem a ver com uma desilusão não só com um time, mas com o futebol em si. E isso compete bastante à geração que nasceu nos 80 (e de certo aquela rabeira que nasceu do meio pro final dos 70 também). Por motivos de matar qualquer curiosidade, cara, o tal tricolor paulista resolveu mandar o técnico embora. O técnico que ganhou título pra caralho. Não pesquisei pra ver se alcançou o Telê, mas o cara tinha feito um pusta feito. Demitido. E eu meio sem entender nada fiquei naquela Quer saber foda-se tudo isso aí. Aquela coisa de clubismo morreu lá.
A vida segue, como dizem, né? O alemão só atrapalha, mas teve alguma situação com algum amigo que eu mandei Poxa, vamos ver um jogo do Juventus? Eu realmente não sabia nada, só que tinha uma camisa bonita (rs), mas bastou alguns googles pra saber como chegava na Mooca (meu), as histórias do time, o gol do Pelé, os poucos títulos, e a torcida que cabia numa Kombi (nem a pau, bicho). Eu acho que na época eu até trabalhava, mas foi num tarde de quarta ou quinta-feira, peguei carona com uns amigos e lá fomos conhecer a Rua Javari, experiência que até pra ele, corintiano roxo, mudou um pouco o nosso jeito de ver futebol.
O Juventus tem a fama do tradicional, tirando a Portuguesa e a resistência de poucos clubes do interior, são poucos os sobreviventes (tem lá umas Federações culpadas, mas deixa pra lá). Mas pra além de tudo, o Juventus tem algo de mágico em seu futebol: um campo pequeno, um placar de placas atualizado a cada gol e uma torcida das mais miscigenadas possíveis. Tem os senhores que torcem das arquibancadas, as organizadas atrás de cada gol e muita gente no alambrado em torno do campo que literalmente dá pra pegar na camisa do bandeirinha (embora eles já cheguem de sobre aviso nos jogos). Tem jogadores que pegam o time grená pra ascender de alguma forma. E por experiência de poucos anos, foram muitos o que deram uma alavancada a partir disso. Tem também um busto do Pelé, muitas vezes cuspido por torcedores, ao lado de um do Clóvis, zagueiro das antigas do clube; tem os ambulantes vendendo picolé, água e amendoim; e tem o famoso cannolli do Seo Antônio, que faz fila o jogo inteiro e colocando a Mooca como um bairro turístico.
E, baralho, tem criança à rodo. Pra um time que tem como lema Não abandonar, ganhando ou perdendo, é de se admirar a presença cada vez mais frequente de crianças e jovens. Esse futebol não pode morrer. O que segue o padrão CBF já morreu há tempos. Ver o jogo de perto e sentir o calor que não se sente em grandes estádio e arenas é fundamental pra eles.
E só tive que explicar tudo isso aí porque ontem encontrei uma dessas crianças (devia ter uns 6 anos), numa loja em Pinheiros, todo uniformizado, e conversando com os pais descobri que ele escolheu ser juventino, que ele leva os pais ao jogo e que ele tem um primo juventino que mora na Mooca. O garoto aprendeu o hino do time, cazzo! Foi uma das melhores coisas que presenciei nos últimos tempos, e tomara que, se bobear, seja pra quem ler aqui também.
