CORÉIA DO NORTE: fome, miséria e opressão

Tão inusitada quanto à existência do grupo Estado Islâmico e sua presença em vários lugares do mundo é o modo de vida na Coréia do Norte e a política adotada pelo país. Contudo, ao contrário dos terroristas que utilizam a tecnologia para atrair integrantes e criar pânico, gravando e compartilhando vídeos de execuções, os norte-coreanos não têm acesso nem à internet. Parecem estagnados no século passado ou, até mesmo, fazendo parte de outro universo, devido ao isolamento causado por testes nucleares e a ideologia Juche que é promovida fortemente na política e sistema educacional.

Juche é uma mistura de autarquia, autoconfiança e tradicionalismo coreano. De acordo com essa ideologia, desenvolvida em 1955 por Kim Il-sung, fundador do país e avô do atual líder,Kim Jong-un, a nação deve ter confiança em si mesma, descartando forças externas. A ideia Juche defende a autossuficiência em todos os níveis. Porém, a ideia de autossuficiência empregada na Coréia do Norte mostra-se insuficiente em diversos aspectos. Do contrário, não haveria tanta pobreza e desigualdade.

Há algo, inclusive, que fortalece a desigualdade por lá. Não bastasse a tirania hereditária que comanda o país (terceira geração da família Kim no controle), existe também outra criação de Kim Il-sung, o Songbun. Trata-se de um sistema de castas relacionado aos antepassados e ao comportamento de parentes. Para fazer a divisão da população, foram levados em consideração os contextos sociais, econômicos e políticos dos ancestrais na época da independência (1995), as atividades que exerceram durante a Guerra da Coreia (1950–1953) e se a pessoa tem algum parente na Coréia do Sul ou China. Ter conexões com outros países é ruim, não apenas para o Songbun; pode ser questão de vida ou morte!

Foto: ERIC LAFFORGUE

A falta de internet ou o uso de carro restrito a uma pequena parcela da população se tornam, infelizmente, banais se comparados com o maior problema enfrentado pelo país comunista: a fome. Na década de 90, acredita-se que mais de 1 milhão de norte-coreanos tenham morrido por essa causa. Nessa época, uma crise acompanhada de grande quantidade de chuva, que destruiu toneladas de reserva de grãos e fez com que outros fossem colhidos prematuramente, tornou a situação ainda pior. O evento ficou conhecido como “Marcha do Sofrimento” (1994–1998). Denúncias de canibalismo acontecem até hoje…

Vários também morrem ao tentar fugir do país e alguns por simplesmente dormirem numa reunião. Hyon Yong Chol, ex-ministro da Defesa, foi executado publicamente em abril deste ano por ter dormido durante evento com o ditador Kim Jong-un. Nesta semana, o ministro da Educação, Kim Yong-Jin, foi morto por “estar sentado de maneira equivocada quando estava debaixo da tribuna durante uma sessão do Parlamento”, informou o porta-voz do ministério da Unificação da Coreia do Sul, Jeong Joon-Hee. Além disso, estipula-se que mais de 120 mil norte-coreanos estão em campos prisionais na grande prisão que é a República Popular Democrática da Coreia.

Foto: ERIC LAFFORGUE
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